Esquema dos colírios: Alagoas é líder nacional em doentes visuais

Por isso, o Ministério da Saúde instituiu um programa de distribuição destes colírios

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Censo de 2010, Alagoas está em segundo lugar, no País, em pessoas com algum tipo grave de deficiência visual: 4,6% da população. Perde para o Piauí, com 4,7% da população.

Entre as deficiências visuais está o glaucoma, uma doença grave e silenciosa, que leva à cegueira, se não for tratada. Está incluído, no tratamento, a distribuição de colírios específicos para o problema. Se for comprado na farmácia, um colírio pode custar mais de R$ 100.

Mais sobre o esquema dos colírios

Por isso, o Ministério da Saúde instituiu um programa de distribuição destes colírios. Essa distribuição seria feita por clínicas especializadas- o MS exigia uma estrutura mínima de médicos, leitos e outros equipamentos para essa distribuição.

Só que o programa realizado em Alagoas, no ano de 2011, segundo o ministério, está repleto de irregularidades.

No Hospital de Olhos Santa Luzia, por exemplo, em Maceió, a auditoria do MS descobriu cobranças indevidas para o tratamento do glaucoma, que deveria ser de graça- tudo pago pelo SUS. Em 2011, o Hospital cobrou, de forma ilegal, mais de um milhão de reais (exatos R$ 1.025.492,88) de pessoas que deveriam receber os colírios- incluindo exames para diagnosticar o glaucoma- tudo de graça.

A corrupção é mais aguda nas clínicas da IOFAL. Em Penedo, a auditoria do Ministério da Saúde descobriu procedimentos que nunca foram realizados, mas foram pagos. E a clínica recebeu o dinheiro e, de acordo com o MS, embolsou uma fortuna: mais de R$ 4 milhões (exatos R$ 4.289.028,05) com exames e distribuição e colírios nunca realizadas.

Em Maceió, a IOFAL desviou menos dinheiro – R$ 1,9 milhão (exatos R$ 1.984.136,02) mas o esquema não foi menos grave. Como em Penedo os procedimentos lançados no sistema- para receber o dinheiro- funcionaram impunemente, na capital não foi diferente.

1.377 pessoas pagaram, ilegalmente, R$ 35,11 para uma consulta no diagnóstico do glaucoma, só em Maceió. Outras 236 pagaram R$ 13,37 para avaliação ou acompanhamento da doença. Isso na capital.

Em Arapiraca, a IOFAL faturou ilegalmente R$ 3 milhões (R$ 3.038.623,02) às custas de legiões de doentes temendo a cegueira- apesar do tratamento ser bancado pelo SUS.

Em Palmeira dos Índios, a distribuição dos colírios era feita pelo Hospital de Olhos da cidade E a farra com a verba pública garantiu o desvio de quase R$ 2 milhões (exatos R$ 1.981.678,37). E para onde foi tanto dinheiro? Procedimentos não comprovados, cobranças a mais no diagnóstico do glaucoma ou na cobrança dos colírios.

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