Esquema dos colírios era transmitido pela TV

Deputado federal, que é sócio de televisão, nega participação no esquema

O deputado federal Rui Palmeira entra na distribuição dos colírios em Maceió. A IOFAL organizava mutirões em bairros

TV Pajuçara transmitia mutirões do IOFAL

para os exames e a distribuição do medicamento. Tudo aparecia no programa Fique Alerta, da TV Pajuçara. Isso porque a IOFAL patrocinava o horário do programa.

Palmeira era chamado para as comunidades- o que associava a imagem dele com a do programa. O marketing deu certo- até a auditoria do MS arrastar o programa alagoano para a lama da corrupção.

Ano passado, a auditoria realizada no programa de distribuição dos colírios descobriu não apenas o esquema, mas forçou a queda do sub-secretário Municipal de Saúde, André Born, também um dos sócios da IOFAL- distribuidora autorizada pelo MS dos colírios e do tratamento contra o glaucoma.

Essa associação da fraude dos colírios e sua imagem na distribuição. Explique.

Desde 2007 faço trabalhos das comunidades não só em Maceió mas também no interior: Paripueira, Rio Largo, Marechal Deodoro, São Miguel dos Campos. Um trabalho realizado com várias parcerias- entre elas a IOFAL, neste caso em Maceió.

Só que o auditoria do MS descobriu uma fraude.

Não tenho nada a ver com isso. Se há responsáveis ou culpados, que sejam punidos.

Que imagem tinha deste programa?

Ele vinha dando certo e quando ele foi suspenso, muita gente foi prejudicada.

E o senhor aparecia como garoto propaganda deste programa.

Não, eu era convidado a aparecer nos eventos pelas comunidades e algumas vezes pela IOFAL. Com a clínica , escolhíamos os lugares para a campanha.

O tamanho do esquema assustou o senhor?

O choque é com as comunidades. Quando se fala em valores nisso, é estarrecedor.

O caso

Em março deste ano, o Ministério da Saúde encaminhou aos ministérios públicos de 29 estados resultado da auditoria do MS no programa de distribuição de colírios.

Além de Alagoas, o ministério identificou irregularidades em Rio Grande do Norte, Paraíba, Maranhão e Minas Gerais. Total dos desvios: R$ 30 milhões.

Em fevereiro, a partir de distorções identificadas pelo Departamento de Regulação, Avaliação e Controle de Sistemas do Ministério da Saúde (Derac), o Ministério suspendeu preventivamente o pagamento referentes às consultas e tratamento da doença faturados em quatro estados – Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba e Maranhão.

Os recursos destinados ao tratamento do glaucoma totalizaram R$ 142,9 milhões- entre janeiro de 2008 a junho de 2011.

Em alguns municípios, os auditores identificaram que a frequência de consultas contra a doença era 100 vezes superior a prevalência esperada, que é de 2,4% da população maior de 40 anos. Em outros casos, metade da população com mais de 40 anos fazia tratamento contra o glaucoma. Estabelecimentos que não possuíam aparelhos ou equipamentos oftalmológicos em suas dependências, mas que cobravam por procedimentos de glaucoma também foram alvo dos auditores.

Causada pela lesão do nervo óptico e relacionada à alta pressão do olho, o glaucoma pode causar sérias alterações no campo visual e até cegueira. De acordo com estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 1% a 2% da população acima de 40 anos é portadora de algum tipo de glaucoma, que representa a segunda causa de cegueira no mundo e a terceira no Brasil. Doenças como diabetes, hereditariedade, miopia e lesões oculares são as principais causas do glaucoma.

O tratamento do glaucoma é feito, na maioria dos casos (95%), em regime ambulatorial, com uso de colírios de uso contínuo. No SUS, são ofertados, gratuitamente, sete categorias de colírios para controlar a pressão intraocular, além da cirurgia.

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