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Espíritas e a flacidez bolsonarista

Se eu fosse uma cientista social da pós-verdade talvez aproveitasse a flacidez patriótica de Jair Bolsonaro somente para fazer zoeira, mas não é o caso. Sou formada, tenho diploma e acima de tudo, sou leitora e analista de uma sociedade à qual pertenço. Assim, a coisa é séria.

Uma chuva de memes não será suficiente para banir a cegueira política de quem ainda insiste em manifestar qualquer tipo de apoio ao governo, com tarjas de patriotismo. Pois ele sequer sabe cantar o hino nacional, e conseguiu cometer um erro primário ao substituir “as margens plácidas, por margens flácidas”, como pode ser visto em vídeo pelo caminho logo abaixo.

Definitivamente, não é essa a razão por trás dos véus. E aproveitar o ensejo para reorganizar os próprios conceitos de pátria seria uma boa pedida, porque um voto mais lesa-pátria do que este dado a Bolsonaro está difícil de espremer, mesmo em um país com vasto histórico de votos mal dados.

Kardec tinha razão ao orientar pela preferência no rumo da ciência, quando a dúvida soasse tentadora na encruzilhada das decisões. Se os nossos irmãos espíritas manifestamente bolsonaristas tivessem fidelidade ao estudo e à razão, não pagariam hoje esse vergonhoso episódio de terem ajudado a eleger um néscio para o mais alto cargo da República.

As consequências deste erro por certo vão muito além do patriotismo tosco e oportunista do presidente, pois que se materializam em virulências psíquicas, de efeitos patologizantes e contágios abrangentes.

Nos tornamos o país da antipoética, antiestética e carecente de uma ética insubmissa ao tradicionalismo da fé, para recuperarmos o bom senso, que é uma das faces maduras do amor.

Aos que ainda resistem aos chamados da libertação, dedico uma flácida canção:

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