Era previsível que os estudos realizados pela Braskem, a partir de empresas contratadas por ela, gerando provas para si mesma, com a justificativa de uma parceria com a Prefeitura de Maceió e órgãos de fiscalização, pudessem construir o discurso de que o fenômeno geológico registrado nos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro tem ligação com causas naturais mais os problemas de escoamento da água pelo solo.
A Gazeta de Alagoas deste final de semana mostra o que já sabia: a Braskem não admitirá publicamente que problemas nas minas de Sal-gema mexem no solo dos bairros.
É claro que não se esperava diferente: ações da Braskem circulam na bolsa de valores, bilhões de reais estão em jogo, a imagem da fábrica não pode estar associada à negligência. Daí a contratação de um time de ótimos advogados mais estudiosos e técnicos.
A Vale fez o mesmo com Brumadinho e em Mariana.
Estranho é que o Brasil nunca tivesse, ao longo de sua história, tecnologia no poder público para estudos e conclusões próprias sobre fenômenos geológicos como os registrados no Pinheiro.
Depende das pesquisas levadas adiante por empresas como a Braskem e a Vale.
O discurso da fábrica operando em Alagoas, se prevalecer, deixará milhares de pessoas sem indenizações. São os moradores destes três bairros obrigados a saírem de suas casas, na espera de respostas.
Na próxima semana sairão os estudos da CPRM. É esperar.





