O pensamento de indiferença política pós-apropriação da pertença alheia, não é novo. Já foi base de inúmeras estratégias de dominação, e faz parte do receituário filosófico de Maquiavel, o consultor dos tiranos, déspotas e gestores públicos ególatras.
Com relação à subjugação de povos considerados enfraquecidos, dos quais outros mais poderosos conquistam com as armas apropriadas o direito de roubar, diz o exímio professor da arte de tornar política uma eterna má fé: “Os únicos a ter prejuízos serão aqueles de quem se tomam os campos e as moradas, para ofertá-los aos novos habitantes. Mas, sendo eles minoria, e espalhados, e empobrecidos, nenhum dano causarão ao príncipe; e os que não sofreram prejuízos terão, assim, de aquietar-se, receosos de que tal também lhes aconteca”.
Suas palavras ecoam atuais. Mostrando que o avanço tecnológico, a ampliação da comunicação e parafernálias outras, não significam evolução do pensamento humano, principalmente, no tocante às políticas.
O afã de vitória sobre o mais fraco ainda é um caminho tentador, perpetuando impérios. Ainda que chamamemos de República, ainda que enfeitemos com os ramos gregos da Democracia, a lógica maquiavélica está como pano de fundo, desenhando o cenário da despossessão e manutenção da pobreza.
A violência continua sendo usada como recurso eficaz de coerção social. No nordeste brasileiro, de modo especial em Alagoas, ela faz parte do jogo político de garantia hegemônica.
Desde as expressões quase ingênuas às mortes encomendadas, temos uma dominação violenta em curso.
Aguardamos o basta, o cessar fogo, a atuação enérgica da justiça. Contudo, o Direito garante a quem o compra as mais esticadas defesas. No final, todos são “compadres” e a festa é feita em família.
Para garantir riqueza e status essa sociedade anula todas as bulas sagradas! Pois como diz Maquiavel, “os homens se esquecem mais rapidamente da morte do pai do que da perda de um patrimônio”. No caso em questão, o poder de toda uma casta pode balançar, por isso, a opção pela preservação desse “patrimônio” determinará a sentença. A violência segue seu curso.





