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Dia dos professores para nós, professores!

 

Um dia para distribuir homenagens, todas justas, inquestionáveis, à figura de cada professor e professora desse país continental.

Cada rincão a esconder o heroísmo dos desbravadores da ignorância, em prol do letramento, do aperfeiçoamento da oralidade, do desenvolvimento da lógica, do raciocínio matemático, de todas as habilidades que nos fazem cidadãos e cidadãs de um mundo letrado, supostamente civilizado.

Dia de fortalecer a raíz de cada um de nós, em um envolvimento sinuoso e delgado, com as inúmeras faces dos nossos professores e professoras, a quem jamais esgotaremos gratidão.

E nós, professores e professoras das Alagoas, como nos vemos?

Quando pomos a autoimagem cara a cara, e fitamos os profissionais que somos, que estamos sendo, como nos sentimos?

Impotentes, perdendo nossos alunos para a vilania da miséria?

Cansados e doentes, diante da dureza das estruturas?

Risonhos e conformados, porque já não acreditamos em nada?

Somos tantos e tantas, desfolhando na proximidade da aposentadoria com vasto legado de enfermidades que sequer conseguimos medicar.

Somos diversos, juventude em inicio de carreira, já fazendo planos de migrar e ganhar dinheiro em outras áreas.

Concursados, contratados, precarizados, somos uma romaria de fazedores de história.

Mal compreendidos, pouco respeitados, com salários sempre abaixo das necessidades, somos esforçados! Esforçadas mães, de poucas vistas aos próprios filhos! Amantes de olheiras fundas, namorados roucos, felizes por cumprirem mais uma jornada antes de beijar.

Mais que homenagens, desejamos apertar as mãos da sociedade. Abraço de apoio, incentivo e solidariedade.

Políticas iníquas nos encurralam as perspectivas de crescimento. Até nossos direitos conquistados por estudos e qualificações são amontoados sobre as mesas dos secretários, e a carreira trava, o pequeno acréscimo é adiado.

Sem culpa dos males sociais, compartilhamos a face mais cruel da miséria ao ver nossos alunos vencidos pelo sistema, nossos sonhos sufocados pela ação legalista de um Estado usurpador, nossas letras espalhadas sobre uma história de perdas, violências e dor.

No entanto, a crença na semeadura nos tem mantido professores e professoras. Um dia a semente rompe a escuridão, e saberemos assim, que a labuta valeu o suor, para melhorar a vida…ainda que a de outros e outras.

Não deveria encerrar assim, mas por hora, qualquer diferença representará mero penduricalho…A nós, sobrevivência!

 

 

 

 

Uma resposta

  1. Obrigada minha querida e que tenhamos sempre a luz do ALTO para sermos verdadeiras educadoras….abraços Parabéns!

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