Por Assessoria
Antes de reunir uma legião de seguidores, ocupar palcos pela cidade e transformar as noites de segunda-feira em ponto de encontro para quem gosta de samba em Maceió, o Samba da Periferia precisou descobrir até onde aquela roda despretensiosa poderia chegar. Dez anos depois, David Beer, Missô Sereno e Alan Malandragem, integrantes que atravessaram toda essa história, reconhecem que nem eles imaginavam que o projeto iniciado entre amigos chegaria a 2026 com público fiel, agenda profissional, atuação social e uma década inteira para contar.
A comemoração será no dia 1º de novembro, no Mirante Ambrósio Lira, mesmo lugar que recebeu o aniversário de nove anos e ganhou um novo movimento com a presença do grupo e do público. Desta vez, o Samba da Periferia chega com o conceito “Multicultural”, transformando em programação uma característica construída ao longo da própria trajetória, que é a capacidade de fazer do samba um ponto de conexão entre pessoas, artistas, ritmos e diferentes lugares da cidade.
“Quando penso nesses dez anos, penso em realização e superação. Até a gente não sabia que seria capaz de chegar aqui. Foram portas fechadas, incertezas e muita gente que não acreditou, mas seguimos dia a dia, segunda a segunda, valorizando o nosso som e a música alagoana. Hoje, sabemos que estamos no coração do público, e esse é o nosso maior troféu”, afirma Missô.
*Multicultural*
Se o samba dá nome e origem ao projeto, os dez anos serão celebrados abrindo espaço para a diversidade musical que sempre circulou ao redor da roda. O conceito “Multicultural” reúne convidados de diferentes gêneros e traduz uma característica que o grupo reconhece também em seu público, formado por moradores de diferentes bairros, turistas, gerações e perfis que passaram a compartilhar o mesmo espaço.
A programação leva ao Mirante as participações de Jam 80, representando o rock; Mauro Diniz, do samba carioca; Naná Martins, com o axé; Juninho Lins, no pagode; Pinóquio do Acordeon, no forró; Hugo Tavares, no sertanejo; Matheus Fontes, com o MPB; e Dé Boy, no brega. No centro desse encontro está o Samba da Periferia, completando uma década de caminhada, jamais imaginada por eles mesmos.
Durante anos, as apresentações foram acompanhadas por campanhas de arrecadação de alimentos, roupas, fraldas e brinquedos. Com o tempo, o grupo passou a adotar um couvert, destinando parte dos recursos a ações sociais e instituições parceiras. Mas pandemia trouxe uma nova virada ao interromper apresentações e expor a necessidade de enxergar a música também como trabalho.
Para Beer, chegar aos dez anos muda também a maneira de olhar para o que ainda pode ser construído. “Talvez o pior tenha sido não ter acreditado na gente mais cedo. Hoje, a gente se sente realizado e, ao mesmo tempo, consciente de que pode mais, sem deixar a essência do projeto, algo que temíamos no início.”
*Bodas da resistência*
A história começou antes mesmo de existir o nome Samba da Periferia. Beer, Missô e Aluízio já dividiam a roda no Samba dos Amigos, que movimentava o Bar do Duca, no Prado. A partir de uma nova formação, entre 2015 e 2016, nasceu o grupo que seguiria construindo identidade própria. Vieram os primeiros meses no Bar do Gordo, no Trapiche, até que a roda precisou procurar outro endereço e encontrou no Bombar o lugar onde cresceria e criaria raízes.
“Foi no Bombar que a gente cresceu. Quando sentamos naquela roda, existe uma energia muito positiva, a gente se transforma. Ali é a nossa casa”, resume Aluízio Braga.
Dez anos de música significaram fins de semana trabalhando, madrugadas, viagens e períodos de agenda intensa, enquanto casamentos, filhos e a própria rotina familiar também mudavam.
Desde os primeiros anos, as esposas acompanharam essa trajetória e criaram entre elas até um grupo, batizado de “Periferiquetes”. Com o amadurecimento dos músicos e a profissionalização do Samba da Periferia, a rotina também precisou encontrar novos equilíbrios entre trabalho e família.
Danieli Cyntia acompanhou de perto a transformação da música na vida do esposo, David Beer. Hoje, com uma criança pequena, os dois dividem os cuidados com a filha enquanto conciliam as demandas profissionais e familiares. E, segundo ela, o Samba continua presente mesmo depois que o palco é desmontado.
“Ele vive para esse Samba. O que no início era uma diversão se transformou em trabalho, e eu sou testemunha do quanto ele ama tudo isso. Mesmo com tanta dedicação, ele é um marido e um pai muito atuante. Apoio desde o início e procuro aproveitar com ele todo o tempo possível, seja em casa, em família, ou sambando com o Samba da Periferia”, conta.
Sinara Alves, esposa de Alan, também acompanhou o esforço necessário para que o grupo chegasse à primeira década. Na casa formada pelo casal e pelo filho, a ausência provocada pelas apresentações é compensada pelo orgulho de assistir ao resultado de tantos anos de dedicação.
“Quando a gente vê eles no palco, com aquele público cantando cada música, é muito emocionante. A gente sabe que não foi fácil chegar até aqui e entende que aquele é o trabalho deles. Então, só temos que agradecer e apoiar”, afirma.
*Legado do samba*
O aniversário de dez anos também pretende permanecer no Mirante Ambrósio Lira depois que a música terminar. Quando viabilizados com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), os projetos do samba sempre associam a celebração cultural a uma ação de retorno para a sociedade. Desta vez, isso acontece com a revitalização de elementos do espaço público que receberá o evento.
A proposta dá continuidade a uma relação iniciada no aniversário de nove anos. Beer lembra que moradores relatavam pouco movimento no Mirante antes da festa e que, no dia seguinte ao evento, o cenário já atraía visitantes e até um ônibus de turistas que parou no local para fotografar a paisagem.
Para esta edição, a produção firmou parceria com uma casa de tintas para a disponibilização dos materiais que serão utilizados na intervenção, inspirada na identidade visual do evento.
“Fizemos um estudo desse território para que a identidade dos dez anos do Samba da Periferia também esteja presente no Mirante Ambrósio Lira, após o evento. Vamos revitalizar o guarda-corpo, cuidar de detalhes das escadas e trazer mais cor e vida para o espaço. Queremos que essa celebração também deixe um legado para quem frequenta e contempla esse lugar”, explica a produtora Karina Liberal, da FK Produções.
*Serviço*
Samba da Periferia 10 anos – Multicultural
Data: 1º de novembro de 2026
Local: Mirante Ambrósio Lira, Maceió
Ingressos: Unique Ingressos; Viva Alagoas ou pelo Instagram @sambadaperiferia.al






