
A estranha campanha eleitoral de 2018 permitirá, um dia, entender como a manipulação das emoções mais primárias, em meio a fabricação de tantas mentiras, ajudou a eleger muitos dos personagens que veremos desfilar pelos próximos 4 anos.
Davi Maia, do Democratas, é uma destas nossas criaturas, mas, justiça seja feita: não precisou inventar os problemas que existem há décadas na Casal. Ele nadou de braçada numa campanha de ódio contra a estatal, usou muito bem as redes sociais a favor de si e, claro, seu pedigree eleitoral ajudou- e muito- a multiplicar votos.
Tudo bem, ele usou o vale-tudo das eleições, cada vez mais personalismo e menos ideias. Porém, a apuração se encerrou, Davi Maia venceu, mas é difícil arrancar o palanque do mais novo representante dos conservadores na Assembleia Legislativa.
Mais difícil ainda é entender o discurso do deputado e sua prática parlamentar.
Semana passada, ele postou um vídeo nas redes sociais falando, mais uma vez, sobre a Casal: o transbordamento de esgoto para o mar, na rica orla de Maceió. O alvo, também, era o Governo Renan Filho (MDB), ao qual o parlamentar será oposição.
Ex-secretário de Limpeza Urbana de Maceió, Davi Maia direcionou críticas ao prefeito Rui Palmeira (PSDB) porque a administração do tucano assinou acordo com a Casal para combater esgoto clandestino.
“Ué? Eu nunca vi quem fiscaliza se juntar com quem polui”, ironizou.
Também nunca se viu tantas alterações de comportamento neste curioso personagem, em uma semana.
O vídeo de Davi Maia foi publicado, no instagram, em 9 de janeiro.

Dois dias antes, o mesmo Davi Maia estava no Salão de Despachos do governador- ao qual ele fará oposição- numa solenidade para assinatura de contratos de financiamento entre o Banco do Nordeste e as empresas Sanama e Sanema para executar obras de esgotamento sanitário nos bairros do Farol e Tabuleiro em parceria com a … Casal.
Seria uma aparição? Ele foi convidado? Ou se convidou?
Mais estranho ainda no camaleônico Davi Maia: as críticas dele vêm no rastro das exonerações, a mando do governador, na Casal, por causa das articulações em torno da eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. Desde 4 de janeiro, os cargos de 3 vice-presidentes da estatal estão vagos.
O blog não acredita em teoria da conspiração. Mas, é fato: o pai de Davi Maia se chama Marcelo Lima, prefeito de Quebrangulo, cidade abastecida pela Casal. É sabido nos corredores da estatal que Marcelo deseja criar um sistema próprio de abastecimento de água e saneamento na cidade, que deu o 1º passo para a “independência”: Quebrangulo é um dos poucos em Alagoas a contar com um programa municipal de saneamento básico.
E, por óbvio, na cidade onde quem manda é o pai, o filho foi o mais votado para a Assembleia: 2.533 votos.
Vamos esperar a estreia de Davi Maia na Assembleia.




