Em entrevista exclusiva à emissora norte-americana NBC na última quinta-feira (9), o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou categoricamente que não pretende deixar o cargo por pressão do governo dos Estados Unidos.
O líder cubano reforçou que qualquer decisão sobre sua permanência no poder cabe exclusivamente à população da ilha e defendeu que uma eventual negociação entre as duas nações ocorra apenas sob condições de igualdade e respeito mútuo, sem imposições externas.
O posicionamento de Díaz-Canel surge em um momento de alta voltagem diplomática entre Havana e a gestão de Donald Trump.
Desde o início deste ano, Washington intensificou o cerco econômico ao bloquear o fornecimento de petróleo para a ilha, medida que tem sido classificada como criminosa por autoridades cubanas e recebido críticas de organismos internacionais, incluindo as Nações Unidas.
Paralelamente às sanções, a Casa Branca mantém canais diretos de contato com representantes da ilha, agora sob a liderança do Secretário de Estado, Marco Rubio, que tem condicionado o avanço das tratativas a mudanças políticas no regime cubano.
Apesar do endurecimento da retórica e das sanções, houve um alívio pontual na crise energética cubana no final de março.
O governo dos EUA autorizou o desembarque de petróleo transportado por um navio russo, encerrando um hiato de três meses sem abastecimento externo.
Analistas indicam que a carga deve garantir o funcionamento de serviços essenciais por apenas mais algumas semanas, mas ressaltam que ainda não há garantias ou definições sobre a continuidade de operações similares no futuro próximo.
Ao abordar a crise energética e econômica, o presidente cubano reiterou as críticas ao embargo imposto pelos Estados Unidos desde 1962, classificando a interferência de Washington como ilegítima.
Durante a entrevista, Díaz-Canel enfatizou que o governo cubano permanece disposto a debater qualquer tema, desde que o princípio da soberania seja respeitado.
“Pedimos para debater sobre qualquer tema sem nenhuma condição”, declarou o mandatário, sinalizando que a abertura para o diálogo depende de que o mesmo tratamento seja aplicado reciprocamente nas relações bilaterais.









