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Crônicas de uma cidade reprimida

Os interesses exclusivistas da classe dominante em Maceió empobrecem a capacidade de pensarmos uma cidade com as características dos seus moradores.

O intrincado ninho que as oligarquias dos engenhos construíram no Poder Municipal, tonificam as dificuldades da emergência da classe trabalhadora a seu lugar de agente de transformação histórica.

Logo, negligenciamos a potência de articulação dos moradores e a relação afetiva e política com os diferentes bairros da cidade.

O ambiente não é uma categoria que está solta no bojo da política, é um tema emergencial e que se mescla com questões sociais e econômicas.

É emergencial não apenas por conta dos desastres que acometem a cidade, mas por conta da segregação do espaço, da exclusão de pessoas dos territórios, das habitações e dos direitos assegurados por lei (nº 10.257/2001).

Se faz necessário olharmos a cidade com a cautela de quem visa delinear suas contradições e entender os interesses políticos da burguesia regional na pauperização das relações entre as pessoas e o ambiente, da experiência de morar e cuidar da cidade.

Os exclusivismos dos ricos é a agulha que fere a cidadania em nossa cidade e revela a dimensão sorrateira e criminosa dos herdeiros liberais que vivem na paz enterrando pobre.

Não obstante, quilos de terra ameaçam vidas nas encostas, nos bairros, nas ruas.

Não vemos reação ou constrangimentos de ninguém quando temos, aos montes, pessoas que se aglomeram sob residências precárias, sem saneamento ou perspectivas.

Nada melhora.

Ano após ano as famílias são enquadradas pela dimensão territorial da luta de classes, jogadas às periferias para viver de migalhas, soterrando os sonhos, os direitos e a civilidade.

A barbárie do nosso tempo tem como base a incapacidade de superarmos o modus operandi antiquado dos que já apodreceram no poder.

2020 será melhor? Para quem?

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