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Covid-19: Psicólogos que seguem orientações de Bolsonaro ferem código de ética

Em um momento onde os países e as organizações de saúde mundiais estão encarando uma ameaça ao bem-estar coletivo, o presidente da república brasileira se posiciona na contra mão das prevenções e ações tomadas pelos países que mais foram atingidos pelo coronavírus até o dia da escrita deste texto.

Está ficando cada vez mais clara a face da burguesia brasileira frente ao abalo da pandemia: o desprezo aos trabalhadores, as suas vidas e ao desenvolvimento do bem-estar físico e psicológico das comunidades.

A ruptura das máscaras ideológicas fica clara quando empresários desdenham dos corpos alheios numa minimização doentia da morte e do sofrimento. O desdém, obviamente, tem um viés de classe como norte e alvo.

Que o burguês tenha em sua figura a iniquidade e a fratura dos pactos que ele mesmo cria em momentos de crise não é novidade na história. As contrarreformas trabalhista e da previdência, a política de austeridade e a EC que congela investimentos em políticas sociais e saúde, não são meros atos diante da crise. São a materialização do teor genocida da ideologia burguesa, onde ódio e desprezo se confundem com liberdade de mercado.

Isto é, o ethos burguês, no pilar que sustenta este sistema, admite a morte e a doença aos trabalhadores em detrimento da exploração do mais-valor. É uma ideologia que se movimenta e ganha força através da negação da vida proletária.

 Na contramão desta força, no entanto, a resistência é guiar-se num ethos que envolva o cuidado e a valorização da vida. Pensando nisso, nesta conjuntura difícil, cabe aos psicólogos orientarem-se na direção que interpela nosso código de ética e honrarem os compromissos que vieram em conjunto com a carteira profissional.

Nos princípios fundamentais do Código de Ética Profissional do Psicólogo (2005) está escrito:

“I – O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.”

“II- O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

“III – O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural.”

O pronunciamento de Jair Bolsonaro é o inverso dos princípios fundamentais visto que coloca a integridade das pessoas em risco, negligenciando, em favor da exploração, a qualidade de vida, o bem-estar e a promoção da saúde.

A orientação do código de ética é clara e diante de uma pandemia e das consequências coletivas que podemos sofrer, é da responsabilidade social da nossa categoria profissional se contrapor a desinformação e aos comportamentos que não preservam a coletividade da contaminação pelo coronavírus.  

Se tomarmos como referencial ético a postura jocosa com a preservação da vida, estamos infringindo o código de ética, se adotarmos uma postura neutra diante disso estamos ignorando nossa realidade política, econômica, social e cultural e isto é o inverso do código.

Ora, se existe uma Psicologia possível, hoje, em nossa realidade, é aquela que se distancia dos discursos de Bolsonaro e da extrema-direita no Brasil.

Saiba mais:

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília, 2005. Disponível em:  <https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf>.

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