Quando ocupava o Senado, Benedito de Lira participou de discussões que impactaram a vida pública brasileira. Uma delas foi a defesa da legalização dos jogos de azar.
Mas uma ideia dele foi fundamental para transformar o centrão na máquina de poder e dinheiro que ele é hoje.
É a ampliação da zona de atuação da Codevasf, a estatal com orçamento bilionário do governo federal e antes restrita a dar apoio, através de projetos e dinheiro, a cidades banhadas exclusivamente pelo rio São Francisco.
Biu de Lira quebrou esta exclusividade apresentando o projeto de lei 370, de 2014 ampliando o raio de atuação da estatal em Alagoas para os vales dos rios Paraíba, Mundaú e Jequiá.
Ou seja: 80% do território alagoano seriam abraçados pela empresa. O que também significava maior área para a apresentação de emendas parlamentares, influenciando as eleições de aliados nas prefeituras.
Eis que o senador mineiro Zé Silva apresentou o PL 68/2015 ampliando a zona de atuação da Codevasf não apenas em Alagoas mas em todas as cidades no país onde houvesse a estatal, além de vales e rios justificando o guarda-chuva de projetos.
O PL do senador mineiro substituiu o de Biu. E o centrão, que já dividia a indicação da Codevasf nos estados entre seus aliados, assistiu ao crescimento do próprio poder. Tudo facilitado pelo impeachment de Dilma Rousseff, a ascenção de Michel Temer e o governo Jair Bolsonaro.
Para citar um exemplo: hoje a Codevasf também atua em Maceió, que fica a centenas de quilômetros do São Francisco. Mas a estatal transferiu seu escritório para a capital e asfaltou algumas ruas na parte baixa.
Biu de Lira morreu aos 82 anos nesta terça, 14/1.





