De um lado, o ministro dos Transportes Renan Filho anunciou na semana passada a construção de um VLT na cidade de Arapiraca.
Do outro, o governador Paulo Dantas (MDB) aumenta a presença nas ruas, em ações que incluem os finais de semana.
E, na oposição, Cabo Bebeto, Alfredo Gaspar de Mendonça e Delegado Leunam e Fábio Costa apertam os calos do Governo na segurança pública, questionando até a veracidade dos números da violência divulgados pela gestão. Assunto que mexeu nos brios de Dantas.
Todas estas ações são coordenadas. Estão ligadas a um tema tratado como tabu: a queda na popularidade do governador, derramando nos Calheiros; uma estranha política de corte no orçamento de custeio em secretarias e autarquias, apesar dos cofres estaduais arrecadarem bem e as transferências federais acumularem um bom momento.
A dança nas cadeiras da Secretaria de Comunicação é vista por calheiristas e membros da equipe do governador como um choque na pasta, porém não deve gerar o efeito esperado: reverter- e rápido- a popularidade de Dantas.
Plano
Desde o final do Governo Teotonio Vilela Filho, baixar os números de violência – para obter dinheiro do Fundo Nacional de Segurança- passou a ser prioridade nas gestões.
Renan Filho seguiu este modelo, herdado por Paulo Dantas.
Mas, apesar dos números mostrarem queda nos índices, o Governo não se preparou para um discurso – que ganha mais eco nas redes sociais- envolvendo insegurança pública e medo generalizado de sair às ruas. Onda cruzando o mundo, chegando a Alagoas com mais e mais força, reforçada por programas policiais e páginas em redes sociais. Também financiadas pelo Governo.
Presença
Daí a constante presença do ministro em Alagoas, principalmente em janeiro, tradicionalmente mês de férias e momento de pausa na agitada vida política de Alagoas e Brasília.
Duas cidades são tratadas como prioritárias por Renan Filho: Maceió, liderada pelo prefeito JHC e onde o calheirismo sofreu dura derrota nas urnas ano passado; Arapiraca, de Luciano Barbosa (MDB), porém onde o sentimento anti-Calheiros é representado em Rodrigo Cunha, hoje vice-prefeito de Maceió. E plano B para disputar o Governo em 2026.
(Está claro que o plano A é JHC).
Agrados
A bonificação aos professores da rede estadual- totalizando R$ 51 milhões- deve ajudar a melhorar a popularidade do governador, segundo os conselheiros do governador.
Se formos observar o passado recente, esse tipo de estratégia ja’é caso manjado para os funcionários públicos.
Na campanha eleitoral, Paulo Dantas autorizou o pagamento dos precatórios do Fundef aos professores dias antes das eleições, para atrair votos para Rafael Brito. Foi um desastre: 83,25% (JHC) x 12,74% (Brito).
Conclusão
Renan Filho terá de vir em socorro do grupo. Antes que JHC ou Rodrigo Cunha resolvam visitar lideranças nos interiores.





