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Como entender a posição de Renan após a prisão de Delcídio?

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Antes de se criticar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), há de se explicar a posição dele na sessão desta quarta-feira que decidiu pela manutenção da prisão de Delcídio Amaral (PT).

A longa discussão sobre o voto secreto mexia em uma emenda constitucional de 2013.

Há dois anos o Congresso decidiu pelo fim deste voto para a perda de mandato de parlamentares.

Essa emenda poderia ser usada como modelo para o caso de Delcídio?

Segundo os operadores do Direito do Senado, não.

Renan seguiu a recomendação deles, ou seja, o voto secreto.

E ele acabou vencido pelo plenário, que derrubou por 59 votos

E a partir de agora?

Bem, Delcídio não fica preso para sempre.

Ele voltará ao Senado mas sem a mesma força de líder do Governo na Casa.

E uma das atribuições dele era a negociação em torno do ajuste fiscal da era Dilma Rousseff.

O Senado resolveu um problema imediato.

E depois de ontem? O ajuste vai passar? O Governo perde a sua base no Senado?

Sem um líder com a mesma capilaridade de Delcídio, Renan sabe que a era Dilma volta a ficar enfraquecida.

A Agenda Brasil dele mesmo, Renan contará com resistências maiores no Senado e também na Câmara onde algumas matérias tramitam mas os deputados montaram uma barreira para desidratar o presidente, Eduardo Cunha (PMDB), no cargo.

O Senado foi pressionado pelo óbvio: a montagem do espírito de corpo para salvar um de seus membros não funciona.

Mais por medo da ação da Polícia Federal- avalizada pelo Supremo- que da opinião pública.

E de novo o Direito vai mostrando não ser uma ciência.

E sim uma interpretação ao sabor das ocasiões.

Não se trata de uma defesa de Delcídio e sim uma constatação: a crise política apenas mostra que cada caso de corrupção no Brasil tem um tratamento diferente.

Que o diga a Operação Taturana e a Rodoleiro, as duas de Alagoas e solemente ignoradas pelos corredores do mesmo Judiciário.

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