O Brasil é uma gigantesca roda de engenho enferrujada, rangendo, mas funcionando e mantendo relações coloniais que já poderiam ter sido abolidas.
Mas, em alguns lugares do Brasil, a situação é muito pior. Bento Gonçalves, Rio Grande Rio Grande do Sul, que o diga: os comerciantes escreveram uma nota repudiando a escravização de nordestinos em vinícolas mas culpa o bolsa família pela mão de obra que recebe auxílio mas não quer trabalhar.
“Há uma larga parcela da população com plenas condições produtivas e que, mesmo assim, encontra-se inativa, sobrevivendo através de um sistema assistencialista que nada tem de salutar para a sociedade”. Esse trecho da nota viralizou nas redes sociais e revoltou muita gente.
Os escravizados baianos eram submetidos a um Pelourinho ‘moderno’: eram extorquidos, ameaçados, agredidos e torturados com spray de pimenta e choque elétrico.
Qualquer civilização desenvolvida na humanidade e cidadania repudia tamanha selvageria. As vinícolas que produzem os vinhos Salton, Aurora e Cooperativa Garibaldi não mereciam continuar funcionando. Os donos não merecem a liberdade.
Mas, no Brasil, nos acostumamos com o tapa na cara dado dos outros. Nenhum estudo científico sustenta a ideia de que o bolsa família construiu uma legião de inativos no Brasil. Até porque o valor da bolsa é incrivelmente insignificante para as necessidades mais básicas do ser humano.
Também não há nada de errado de todas as pessoas receberem uma renda universal. Em países europeus é um direito.
E por aqui sustentamos funcionários fantasmas, desembargadores que recebem auxílio creche, plano de saúde, conselheiros e tribunais de contas absolutamente incompetentes para a função milionária.
Mas o bolsa família de valor ridículo é o grande problema para os comerciantes do Bento Gonçalves.
Não à toa fomos os últimos a abolir a escravidão nas Américas.





