A eleição de Jair Bolsonaro também mostrou que a rápida escalada autoritária atinge, em primeiro lugar, as opiniões divergentes.
Na Ponta Verde, uma pessoa ousou colocar adesivos com o nome de Lula nos vidros do carro. Estacionou e ao voltar viu que os quatro pneus foram rasgados (sim, rasgados).
O desejo contido era o de exterminar o outro. Na ausência, os pneus substituíram o alvo do ódio.
Foram anos de ameaças de morte, de mortes atestadas, proibições não oficiais porém explícitas, agentes públicos ganhando super poderes enquanto sufocavam milhões de silêncios.
No quartel do Exército, em Maceió, agressões físicas foram registradas na polícia, vindas dos vândalos que invadiram o canteiro central na Fernandes Lima fazendo a defesa de um golpe militar. E até policiais mantinham até pouco tempo uma viatura no local para defender a “liberdade de expressão”. Óbvio: uma liberdade garantida pelo terror do revólver.
Os extremistas da direita radical foram longe demais. Mas não sozinhos. Tiveram apoios da imprensa, das organizações, das instituições. Impunham até que somente 30% dos brasileiros eram de oposição. Um descalabro, como se viu.
A diplomação de Lula mais a emoção dele ao falar da democracia é o início de um tempo diferente. Fazer oposição não é ter ânsia de matar o próximo, como Bolsonaro e sua boiada tantas vezes incentivou.
É também acreditar nas histórias de homens e mulheres. Até os medíocres têm o seu lugar de fala. Isso também é democracia.





