Caso PC: perita diz que cena do crime não foi mexida

Responsável pelo levantamento do local do crime, a perita Anita Buarque de Gusmão disse que o empresário Paulo César Farias foi assassinado pela namorada Suzana Marcolino, que em seguida se matou. A conclusão faz parte do primeiro relatório- do legista Fortunato Badan Palhares- entregue à Polícia Civil de Alagoas. Anita integrou este relatório, assinado por 11 pessoas.

– Não havia vestígio que ali havia uma terceira pessoa, disse, ao falar do local dos crimes: a mansão do empresário, no bairro de Guaxuma, em 23 de junho de 1996.

Após o tiro em si mesma, a arma de Suzana foi arremessada pelo impacto. A outra bala disparada contra PC ficou alojada no corpo dele. A arma foi enviada a Salvador, para exames. Chumbo, bário e antimônio foram as substâncias encontradas nas mãos de Suzana. Nada nas mãos de PC.

– A cena do crime estava preservada. Não foi mexida. Fotografei todo o local. Entrei pelos fundos da casa, antes de subir a rampa, eu me deparei o secretário de Segurança, coronel Amaral, Augusto Farias estava ao lado dele. Coronel Amaral disse a mim que eu era a dona do local, o que precisasse podia pedir, disse a perita.

Um jurado perguntou como a perita tinha certeza que o local do crime não havia sido mexido se a porta do quarto onde os dois estavam ficou aberta:

– Na cena do crime, naquela cama, a gente tem vestígios do resultado da cena que dizem que ali não foi mexido. Toda a movimentação do corpo dela, e as manchas de sangue, foram produzidas pelo corpo e não por outra pessoa. A direção da arma era compatível, a posição que ele [PC] ficou, o cobertor estava preso nas pernas. Ele estaria de outra maneira, teria o sangramento, que ficou tamponado por conta da posiçao da musculatura, da gordura do corpo. Por isso não houve extravasamento de sangue, disse.

– O corpo do PC foi virado. Quando isso aconteceu- para ver se ele sofreu agressão- saiu muito sangue, que ficou em cima do colchão. O colchão foi importante na hora do levantamento, depois da retirada dos corpos, o colchão perde o interesse.

Anita negou ter recebido pressão para assinar o laudo.

– Os exames residuográficos deram positivo nas mãos dela. E negativo nas mãos de PC, explicou. Só havia pólvora na mão de Suzana, disse Anita.

Este exame- segundo ela- foi feito com água mineral, da mansão:

– O procedimento deveria ter sido feito com água destilada. Depois, o corpo foi encaminhado ao IML. Lá, o perito Nivaldo Cantuária fez novo exame e chegou às mesmas conclusões, explicou.

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