A denúncia do Ministério Público contra os policiais que mataram e ocultaram o corpo do adolescente Davi da Silva- no dia 25 de agosto do ano passado- é simbólica.
Porque dá uma resposta à Corregedoria da Polícia Militar.
Há de se separar policiais acusados em crimes: o tratamento dado a eles não deve ser o mesmo ao restante da tropa.
Os detalhes da denúncia do MP contra os militares são chocantes. Mostram que parte da tropa precisa de tratamento médico ou psicológico.
No relato, baseado em depoimentos de testemunhas, Davi estava nervoso ao ser abordado pelos policiais e chegou a derrubar a maconha que carregava e a policial interpretou o gesto como se ele estivesse dizendo que ela era uma cachorra- expressão que está na denúncia do MP.
O jovem foi posto em uma viatura e até hoje o corpo não foi localizado.
É uma história cruel e a alma humana- saliente-se- trabalhando diretamente com o mundo do crime parece perder a razão se a mesma razão não receber socorro profissional e especializado.
Uma parte dos militares de Alagoas tem histórico em crimes. Policiais lideravam a Gangue Fardada, grupos de extermínio, trabalhavam para empresários e políticos para eliminar desafetos.
Mesmo assim, a posição da Corregedoria da polícia era quase de inação. Um coronel aposentado agrediu uma médica na seção eleitoral ano passado. E nada aconteceu.
A violência não pode justificar que o braço armado do Estado- a polícia- seja criminosa. Nem crimes fiquem impunes.
A não ser que a polícia de Alagoas tenha mudado de nome. Seja de fato uma gangue fardada.





