Artistas se mobilizam por agenda cultural no governo JHC

Inspirado em mobilização digital de apoiadores de Lula, movimento reivindica diálogo com o governador eleito e compromisso com o fortalecimento das políticas culturais; histórico de conflitos com a gestão de Maceió alimenta cobranças do setor.

Artistas e trabalhadores da cultura de Alagoas lançaram uma rede de mobilização digital para reivindicar compromissos do governador eleito João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), com o fortalecimento das políticas culturais no estado.

Batizado de “Exército da Cultura Alagoana”, o movimento busca organizar os segmentos artísticos, estabelecer uma agenda de prioridades e abrir diálogo com a futura gestão estadual.

Inspirada na rede “Exército do Lula”, que mobilizou apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em campanhas digitais durante as eleições, a iniciativa começou a ganhar visibilidade nas redes sociais.

O grupo aproveitou o Dia Nacional da Cultura, celebrado em 5 de novembro, para divulgar uma manifestação pública cobrando posicionamento do governador eleito sobre o futuro do setor.

Na publicação, os integrantes destacam a diversidade da produção cultural alagoana, mencionando manifestações populares, artesanato, música, teatro, cinema, design, moda e literatura como elementos fundamentais da identidade do estado.

“Queremos o compromisso do governador eleito JHC com o nosso futuro!”, afirma o texto divulgado pelo movimento.

Entre as principais reivindicações está a nomeação de um perfil técnico e com experiência para comandar a pasta da Cultura no governo estadual. O grupo também defende a continuidade e a ampliação das políticas públicas destinadas ao setor, além da valorização dos artistas e trabalhadores da cultura.

“Uma cultura forte só existe com uma gestão cultural forte!”, destaca a publicação.

Confira post:

Histórico de conflitos com a gestão municipal

A mobilização ocorre em um contexto de reivindicações anteriores de representantes da classe artística em relação à política cultural conduzida por JHC durante sua passagem pela Prefeitura de Maceió.

Em maio de 2023, diferentes fóruns e organizações culturais da capital divulgaram uma carta conjunta denunciando o que classificaram como um processo de desmonte da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC).

O documento foi assinado pelo Fórum Setorial do Audiovisual de Alagoas, Fórum da Literatura em Alagoas, Fórum de Teatro de Maceió, Fórum Afro de Maceió, Fórum da Música de Maceió, Comissão Cultural de Alagoas e Coletivo das Editoras Independentes de Alagoas.

Na ocasião, as entidades criticaram a ausência de editais e de ações voltadas ao desenvolvimento dos segmentos artísticos. Segundo a carta, a política cultural da prefeitura estaria priorizando grandes eventos populares, como festas juninas e carnavalescas, em detrimento de mecanismos de financiamento considerados mais democráticos, como os editais públicos.

Os representantes também manifestaram preocupação com a aplicação dos recursos da Lei Paulo Gustavo, que destinava aproximadamente R$ 8,7 milhões ao município de Maceió. O documento apontava demora na articulação com os segmentos culturais para discutir a distribuição dos recursos e questionava a falta de participação da sociedade civil nas decisões.

Outro ponto levantado foi a desmobilização do Conselho Municipal de Cultura, que, segundo os signatários, enfrentava dificuldades para manter reuniões regulares e estabelecer canais de diálogo com a administração municipal.

As entidades cobraram, à época, a reestruturação da Fundação Municipal de Ação Cultural, a nomeação de uma equipe técnica qualificada e a construção de uma política pública que contemplasse as necessidades dos trabalhadores e produtores culturais.

Procurada pela imprensa na ocasião, a FMAC não comentou as denúncias.

Movimento busca diálogo com novo governo

Com a eleição de JHC para o governo de Alagoas, o “Exército da Cultura Alagoana” pretende ampliar a articulação entre os trabalhadores do setor e construir uma agenda de reivindicações para a próxima gestão estadual.

A iniciativa coloca em evidência a expectativa de artistas e produtores culturais sobre os rumos da administração pública da cultura em Alagoas, especialmente em relação à escolha dos gestores, à participação da sociedade civil e à continuidade das políticas de financiamento e incentivo à produção artística.

O movimento afirma que pretende atuar pelo fortalecimento do setor, pela ampliação das conquistas já alcançadas e pela valorização da produção cultural alagoana.

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