Aos 101, morre Manoel da Marinheira, patrimônio vivo de Alagoas

Apesar de viver de forma simples- em uma oficina, na fazenda Bento Moreira, em Boca da Mata, onde produzia suas obras e circulado pelos 15 filhos, 36 netos e mais de 100 bisnetos- Marinheira tinha peças exportadas para todo o Brasil e países da Europa

O artesão Manoel Cavalcante de Almeida, conhecido como Manoel da Marinheira, morreu nesta segunda-feira na cidade de  Boca da Mata, a 70 quilômetros de Maceió, aos 101 anos. Manoel da Marinheira era considerado um patrimônios vivos de Alagoas, com peças de artesanatos esculpidas direto dos troncos de jaqueira- talento que herdou do pai.

Suas mais de 700 obras retratam a fauna brasileira. Tudo começou aos 14 anos. Com o martelo e a talhadeira do pai esculpiu um coelho. O apelido “Marinheira” veio do avô, que chegou a Alagoas de navio, e se apaixonou pela avó de Manoel.

Manoel da Marinheira nasceu em 4 de novembro de 1911. Mas, seu trabalho só começou a ser conhecido na década de 70, quando foi descoberto pelo artista plástico Fernando Lopes e o fotógrafo Celso Brandão. Seus trabalhos começaram a circular entre os intelectuais.

Apesar de viver de forma simples- em uma oficina, na fazenda Bento Moreira, em Boca da Mata, onde produzia suas obras e circulado pelos 15 filhos, 36 netos e mais de 100 bisnetos- Marinheira tinha peças exportadas para todo o Brasil e países da Europa. Sua onça suçuarana, esculpida em madeira, está exposta no Memorial da América Latina, em São Paulo.

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