Os poderes aderiram, mais uma vez, à lei do silêncio. Quando isso acontece em Alagoas, é porque gente dos poderes está encalacrada e a lei do coleguismo precisa atuar, salvando amigos das encrencas.
Foi assim logo quando estourou a Operação Taturana em Alagoas, em 2007. A ação federal silenciou as nossas sempre falantes instituições. O motivo estava no inquérito: personagens dos três poderes mais capangas fardados compunham um dos maiores escândalos de corrupção, ainda impune.
O caso agora é do movimento antidemocrático instalado no canteiro central da avenida Fernandes Lima, em frente ao quartel do Exército.
Movimento que não aceita a derrota na eleição presidencial, insufla as forças armadas a fecharem o STF, o TSE além do desejo de prenderem opositores para se instalar uma teocracia.
Sem fiscalização, estes extremistas da direita montaram um restaurante abaixo de uma tenda. E anunciaram, em vídeo nas redes sociais, que têm estoque de produtos para mais 10 dias.
Moradores do Pinheiro organizaram um abaixo-assinado, com quase 600 assinaturas e direcionado ao Ministério Público para que a lei do silêncio seja respeitada.
Não faz tanto tempo, o Ministério Público firmou uma parceria com bares da orla de Maceió, alvos de autuações por causa dos ruídos incomodando moradores do entorno.
É do MP alagoano, aliás, um projeto lançado em maio de 2019 de combate à poluição sonora e perturbação do sossego alheio.
“Poluição sonora: crime ambiental com pena de reclusão entre 1 e 4 anos, mais pagamento de multa. Perturbação do sossego alheio: contravenção penal, com restrição de liberdade que pode durar até três meses, e também com previsão de sanção pecuniária.”, disse o MP à época.
Por razões ideológicas ou de identidade de classe ou o manjado “tô nem aí”, os extremistas da direita estão sendo poupados pelas instituições.
Acompanhei longos acampamentos dos movimentos de luta pela terra na praça Sinimbú, Centro de Maceió. Eles marchavam pelas ruas atrapalhando o trânsito para lembrar que o acesso à terra também é um direito dos cidadãos.
Contra os sem-terra, existiam alguns policiais modendo os beiços, com desejo de morte.
Temos hoje um movimento classificado como antidemocrático, com pautas antidemocráticas, retroalimentando-se de notícias falsas e sendo financiado por personagens ainda ocultos, mas nem tão desconhecidos do nosso imaginário social.
O escândalo fede a céu aberto. Mais que o cheiro ruim do Salgadinho, um déjà vu pré humanóide.
Não, meu amigo e minha amiga, há lugares onde a civilização e a civilidade não chegaram. E onde as regras não valem para todos.






Uma resposta
São todos babacas que no jogo político não sabe perder…