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A pátria que o ódio pariu

Além desse Brasil que você enxerga, palpitam outras formações de brasileiros nesta mesma terra, e todas elas desenvolveram um jeito sobrevivente de existir, mas lhe advirto que nem sempre isso significa que seja coisa boa viver assim.

Nem sempre será gratificante ouvir o que a gente desse povo que se apinha na frente das lotéricas para receber auxílios e assistências terá para dizer. Nem sempre estarão destoando do pior político que o país gerou nos últimos tempos, e nem sempre estarão partilhando um sonho de paz para todos.

O Brasil é um caldeirão fervente de subcultura nas linhas da subsistência, que exala moralismos e violências nas esquinas e vielas. O povo está contaminado pelo ódio.

Como plantar uma semente de esperança neste solo ressequido? Estamos com medo uns dos outros. Não sabemos de onde pode surgir o adversário desconhecido.

Para falar a estes ouvidos além dos mentores religiosos que lhes vendem convicções, talvez o possa apenas a cultura com suas multiformes expressões.

Cozinhar com paciência essa hora amarga sem deixar que leve o bom sabor das nossas bocas, será a arte mais rara e também mais necessária.

Fazer política sem discursar, e tocar a sensibilidade sem doutrinar, trabalhando as repulsas e respeitando as próprias rejeições, serão caminhos de reinvenção das lutas.

O ódio não tem razões, mas tem matéria. Está no olhar, no verbo e na defesa do mau jeito de relacionar política e vida humana.

O amor sem ingenuidade é traço perseguido.

Ame com cuidado, tato e criatividade, esse belo país que cospe dor e blasfêmia enquanto o amanhã agoniza nas calçadas da vida real.

 

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Uma resposta

  1. Se reverter a ignorância com uma educação digna e de qualidade, essas pessoas com muito ódio no coração vão sumir e nunca mais terão voz ativa!….

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