A história do promotor que virou defensor da memória da líder negra Dandara

Tão logo viu o Diário Oficial desta quinta publicando a mudança do nome da praça Dandara para Nossa Senhora da Rosa Mística, o promotor de Urbanismo, Jorge Dórea, ficou indignado: “É um absurdo”.

Em seu celular, choveram mensagens do movimento negro e religiosos. A ironia é que a nova lei municipal, assinada pelo prefeito de Maceió JHC, é publicada no dia de combate à intolerância religiosa, 21 de janeiro.

E substitui o nome Dandara- a mulher de Zumbi dos Palmares, líder da resistência negra no Quilombo dos Palmares, mãe de 3 filhos e que cometeu suicídio em 6 de fevereiro de 1694 após ser presa – pelo nome devocional da Virgem Maria, na tradição católica.

A estratégia segue a linha da Fundação Palmares no Governo Bolsonaro, que busca desarticular iniciativas de promoção da cultura negra, substituição de patronos do povo escravizado para reestabelecer a antiga visão da História, contada pelo colonizador que é quem promovia a destruição dos focos de resistência negra para implantar a miséria.

Iniciativa

Desde o ano passado o Ministério Público acompanha as discussões na Câmara de Vereadores de Maceió. E sempre foi contra a mudança do nome da praça. Uma lei de 1995 deu nome Dandara ao equipamento urbano no bairro da Jatiúca.

16 anos depois e a Câmara cedeu à pressão dos moradores da Jatiúca e dos fanáticos religiosos defensores da moral e dos bons costumes. E não apenas aprovaram a proposta na Câmara como conseguiram levar à mesa do prefeito, que é evangélico.

O promotor Dórea contou que, ano passado, havia promessa do então secretário de Turismo de Maceió, Jair Galvão, de que não haveria mudança do nome da praça, apesar do projeto em trâmite na Câmara.

Mudou a gestão, JHC substituiu Rui Palmeira e a mudança aconteceu.

“O prefeito foi mal assessorado, só pode ser. Ou não teve conhecimento disso”, pensou o promotor.

JHC vai revogar a lei, após a repercussão. O promotor preparava uma ação civil pública para reverter a mudança.

“O prefeito sentiu o peso da reação”, resumiu.

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