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A história de quem trabalha vendendo pizza nos sinais de trânsito

Alexandre Cavalcante Silva descobriu, nas ruas de Maceió, que os padrões dos trabalhadores que encaram, todos os dias, rostos desconhecidos envolvem interação, solidariedade e medos pouco revelados e até mascarados.

Trabalhando em uma empresa onde o contato com malabaristas, vendedores de frutas, yoga, pedestres e veículos é constante, ele fez um relato ao blog sobre estes invisíveis que vemos nos sinais de trânsito. Claro, se tivermos olhos de ver.

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“A cidade é uma estranha senhora, que hoje sorri e amanhã te devora”

A frase de Os Saltimbancos, de Chico Buarque, se ajusta a quem trabalha nas ruas.

Desde 1 de junho trabalho vendendo pizzas em semáforos de Maceió. Creio que a empresa realiza um trabalho social. Vejo pessoas dia e noite, com fast food, artes etc. Me chama a atenção a interação entre diversas atividades, combinando com pedestres e veículos.

Há um grupo de malabaristas, artistas que estudam em escolas, outros vindo de outros estados e países. Interação é, naturalmente, solidariedade. Isso é necessário para o convívio nos mesmos espaços.

Há muitos públicos. Há agregados, há os que moram juntos. Todos ajudam todos. Malabaristas compram pizzas, vendedores compram morangos, limpadores de para- brisas caminham lado a lado com vendedores de caju.

Mas, a rua não é romântica na sua pureza. Existem riscos. Quem trabalha nas ruas enfrenta a solidão, anonimato, desinformação, acidentes com veículos.

Se enxergo ódio contra quem trabalha nas ruas. Não, não vejo isso.

Eu vi uma pessoa que morava em um hotel, na rodoviária; outro possui ideias suicidas; outro é espanhol, faz malabares; outro me disse que gostava de trabalhar na rua; outro que fazia yoga… .

Por que eles trabalham nas ruas? São tantos os motivos. Problemas na família, gosto por viajar, querer aceitação pelo público. Presume-se, pelo olhar ou aproximações de estranhos, que tenham medos. Mas, medos não são assumidos. Eles se esquivam sobre isso.

Há vendedores de pizzas que estão contentes com o emprego… uma descoberta casual de marketing… nos EUA… dizem. Alguém contratou um fornecedor e por última hora cancelou. É assim.

Vende-se nas ruas, baratinho. A emenda ficou melhor que o soneto. Vendeu melhor. Alguns garotos na rua fizeram faculdade, por exemplo, em Pelotas. Entre os vendedores de pizza existe uma família. Eles se tratam assim.

A rua tem trabalhador competente. Ele galga posições, está ali a postos nos horários de pico: 17hs, 18 horas, 20 horas…

Já viu a venda de pizza nos semáforos? Tem mais de uma empresa ali por detrás daquele trabalhador. Sinto responsabilidade social no trabalho de nossa empresa. Pessoas que optaram a trabalhar nos sinais. Também buscam vender para as pessoas que buscam promoções no fim da noite. Se sobram 10 pizzas no final do expediente, podemos fazer eventualmente uma promoção.

“A cidade é uma estranha senhora, que hoje sorri e amanhã te devora”…

Há um respeito entre as pessoas. Cogita-se cidadania. Existe uma conduta para quem trabalha na rua. O vendedor de água não avança em ponto alheio. Há exposição de malabares, depois entram vendedores de pizzas em seguida, enquanto outros limpam para-brisas.
Há uma preocupação entre os vendedores de rua: para não atropelar, não frustrar com um pesado.

“O contrário do amor, não é o ódio, mas a indiferença”.

SOBRE O AUTOR

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