A mistura entre política e religião já causou muitos estragos ao longo da história da humana, talvez por isso alguém inventou que não se devia discutir sobre elas, para não desestabilizar o bom nome.
Contudo, estamos contemplando na contemporaneidade brasileira um grito de furor saído das gargantas dos que compõem uma bancada dita “evangélica”, tendo como alvo escolhido a palavra “gênero” nos planos de educação. Alguns católicos mais ortodoxos endossam o discurso em combate às teorias de gênero, palavras mal compreendidas pelos discursadores legislativos ou não.
Eis o perigo de eleger pessoas pela representação física, caras sorridentes e poses burguesas. Em momentos delicados como os de então, o que prevalece são os arrastamentos de crenças, castas e classe. Quando elegemos um vereador ou deputado, não estamos colocando poder nas mãos da pessoa, apenas, estamos empoderando também o que ela representa.
Percebamos a importância de termos nos parlamentos representantes instruídos. Indivíduos leitores, politizados, participantes da dinâmica social para além dos sobrenomes que ostentam ou da carreira política que herdam.
Não devemos permitir a legitimação do retrocesso, sem utilizar este mesmo fenômeno para nos instruir mais, abrindo um leque de reflexões sociais com força de desmascarar o moralismo que se esconde por trás de todos os casos de violência contra mulheres e homossexuais.




