Depois do reconhecimento implícito de um Estado palestino pela Organização das Nações Unidas na quinta-feira, o governo de Israel informou, neste domingo, que vai congelar a transferência mensal de receitas fiscais para a Autoridade Palestina. Sob negociações de paz interinas, que Israel alega terem sido violadas pelos palestinos em decorrência de uma busca unilateral de um upgrade de status na ONU, o país arrecada 100 milhões de dólares mensais em impostos para a Autoridade Palestina.
“Não penso em transferir o dinheiro neste mês. Eu o utilizarei para pagar as dívidas que a Autoridade Nacional Palestina (ANP) contraiu com a empresa de eletricidade (de Israel)“, anunciou o ministro das Finanças, Yuval Steinitz, na reunião semanal do Conselho de Ministros, diz o site do jornal Yedioth Ahronoth. Israel alega que a dívida da Palestina é de 200 milhões de dólares.
Fontes diplomáticas israelenses que pediram para não ser identificadas afirmaram à agência Efe que o Ministério das Finanças não cobrava a dívida em um “gesto de boa vontade” para com a ANP, mas que depois da votação na ONU, a qual Israel se opôs, não há nenhuma razão para não cobrar o dinheiro.
Empréstimo – A fonte lembrou que, na semana passada, a Empresa israelense de Eletricidade teve que pedir um empréstimo especial aos bancos, com garantia do governo, para tapar um rombo de mais de 1 bilhão de shekels (R$ 262 milhões), em parte originado pela dívida palestina.
Steinitz qualificou o pedido dos palestinos à ONU de “provocação”, e afirmou que, com o respaldo internacional, o que os palestinos buscam é “conseguir um Estado sem ter de reconhecer Israel, sem se comprometer com o desarmamento e sem mecanismos de segurança” para os israelenses.
O órgão palestino, que enfrenta problemas financeiros e um comando limitado sobre a Cisjordânia ocupada, depende amplamente desse dinheiro mensal para pagar o funcionalismo público. Yasser Abed Rabbo, uma importante autoridade palestina, afirmou que os israelenses são culpados por “pirataria e roubo” ao travarem o repasse.
Israel já tinha congelado anteriormente os pagamentos à entidade, durante tempos de crises de segurança e tensões diplomáticas, provocando grandes críticas internacionais, como quando o órgão cultural da ONU, a Unesco, reconheceu o status de membros aos palestinos, há um ano.
A vitória na ONU para os palestinos foi uma derrota diplomática para os EUA e Israel, que só tiveram o apoio da alguns poucos países ao votarem contra o upgrade no status palestino.
Festa em Ramallah – Em meio à controversa decisão do governo israelense, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, foi recebido com festa por milhares de palestinos neste domingo em Ramallah, na Cisjordânia. Abbas, que há tempos se via eclipsado pelas conquistas do movimento islamita Hamas em relação a Israel, defendeu em seu discurso a união nacional, que descreveu como o “passo a seguir” de suas gestões para obter a independência. “Agora temos um Estado”, disse Abas aos palestinos..
Em seu discurso, Abbas se comprometeu a reiniciar o processo de reconciliação entre os palestinos. “Já nos próximos dias vamos examinar as medidas necessárias para conseguir esta reconciliação (entre as tendências palestinas)“, disse Abbas durante seu discurso.
Troca de prisioneiros – Tamanha festa não era vista na Palestina desde que o Hamas fez uma troca de prisioneiros com Israel, em outubro de 2011. A Muqata – sede do governo da ANP – e seus arredores foram enfeitados com gigantescas bandeiras palestinas, enquanto outra que adornava o palanque no qual Abbas discursou refletia em sua faixa branca a nova condição de Estado da Palestina e incluía a seu ao redor bandeiras da comunidade de nações.
Mulheres vestidas com o traje tradicional palestino de bordados vermelhos e uma ou outra com uma recriação da bandeira nacional completavam um cenário com o qual o movimento Fatah fez sua demonstração de força.
Com Veja e agências internacionais







