O tribunal, com ares de inquisição, das redes sociais massacra o estudante de medicina Fernando Lages da Resurreição, de 26 anos, que sobreviveu ao incêndio que matou a noiva Carolina Canales, de 24 anos, em Bangkok, na Tailândia.
A história por si só é trágica e dolorosa. E mesmo sem ser ouvido, Fernando já é acusado, sem provas, de abandonar a noiva para salvar a própria pele.
Ora, mas para quê provas se o tribunal das redes não ficou satisfeito pela morte de Carolina? Queria também o corpo de Fernando.
Onde vamos parar?
Quando a moça da janela do avião (alguém lembra dela?) negou assento para uma criança, muitos condenaram a mãe por não controlar o próprio filho ou esculacharam uma suposta falta de educação do pequeno.
“A mulher estava certa, ela comprou aquele lugar”; “a criança era mal educada, tem de aprender a ouvir um não”, diziam os inquisidores virtuais.
Depois veio a versão da mãe, os problemas gerados pela companhia aérea com outro filho, deficiente. E a outra criança tentou encontrar sua própria saida. Deparou-se com a moça da janela e seu indefectível fone de ouvido e olhar de paisagem.
Mas até chegar a esta versão, já tinham arrebentado com a índole da mãe-vitima.
Em 23/12 uma criança de dez anos morreu afogada em uma cachoeira na cidade de Matriz de Camaragibe, interior de Alagoas. A mãe estava no local, junto a outros familiares. Mesmo assim, ela foi acusada de abandono de incapaz. Impressionam a crueldade e a covardia do método usado contra quem tem pouca força para se defender.
O tribunal das redes não tem mais fome e sede por justiça. E sim justiçamento. Os reconhecidamente humilhados pelas redes precisam recomeçar as próprias vidas. Eu tenho dúvidas se as mentes sem rostos têm essa boa intenção de deixar isso acontecer. Afinal, quanto mais ódio, melhor. E mais lucrativo.





