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Projeto de Bolsonaro é fechar universidades e recuperar modelo brasileiro do século 19

BRASÍLIA, DF, 29.08.2017: ECONOMIA-GOVERNO - O deputado Jair Bolsonaro - O presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira, deu início à votação de vetos presidenciais em sessão conjunta da Câmara e do Senado na tarde desta terça-feira (29). Os parlamentares vão analisar vetos do presidente Michel Temer a 16 projetos de lei e começaram pelos que poderão ser votados sem a necessidade de uso do painel eletrônico. (Foto: Mateus Bonomi/AGIF/Folhapress)

Nem os bolsonaristas mais fanáticos acreditavam que a era do capitão viraria um projeto de desmonte rápido e com profundas sequelas na educação superior brasileira.

Existe um projeto em curso que une as igrejas evangélicas de araque, o moralismo de fachada da nossa sociedade e mentiras- muitas mentiras- para bombardear entidades de currículo respeitável e que agregam ensino, pesquisa e extensão.

Bolsonaro pode entrar para a história como o presidente que mais vai fechar universidades pelo país.

Universidades onde estudam estes socialistas que usam IPhone, doutrinando jovens…

O curso superior é uma das pouquíssimas chances de mobilidade social entre os mais pobres num país historicamente injusto e socialmente exclusivista como o Brasil.

Porque é comprovado: quem tem um diploma melhora a própria história de vida mais as finanças de si mesmo e dos que orbitam est@ profissional.

Empresas ou entidades públicas exigem, cada vez mais, pessoas qualificadas, agregando conhecimento, espírito de equipe, disciplina cognitiva- elementos presentes em cursos superiores nas áreas exigidas por estes lugares.

Quantos casos existem nas universidades públicas de estudantes que representam a 1a geração de uma família a chegar ao curso superior?

Ou quantos diplomados, filhos de carpinteiros, doceiras, lavadeiras, empregadas, garis, margaridas, agricultores alcançaram ótimas colocações no mercado de trabalho e melhoraram as próprias condições, comprando eletrodomésticos, carro, reformando o telhado da única casa da família, transferindo dinheiro a outros parentes…

São circunstâncias inéditas porque desde que as primeiras faculdades brasileiras passaram a existir ainda no século 19, apenas a elite poderia assistir à continuação de seu legado com seus filhos virando doutores.

Hoje, o que poderia ser peça para a construção do país virou guerra cultural na era Bolsonaro.

Ele quer a universidade como o modelo de 200 anos atrás operando no Brasil. Ou seja: apenas quem tem dinheiro e sobrenome chegando ao curso superior.

Bolsonaro pode ir mais longe. E implementar uma política de ódio aos mais pobres chegado às universidades ou faculdades.

Ninguém controla o ódio de uma classe por outra.

E, no Brasil, esse ódio chegou muitas vezes ao extermínio.

Nosso passado se repete. Infelizmente não é uma farsa.

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