
Ao transferir o título eleitoral para Alagoas- e entrar em uma provável disputa a deputado federal 15 anos depois de experimentar as urnas locais- Arnon de Mello Neto evoca os sinais do passado, sinais que mostram muito a respeito do pai, o senador Fernando Collor.
Em 2002, Arnon, entrevistado por O Jornal, disse que o fracasso dele na eleição não foi tão amargo quanto a perda do pai na disputa ao Governo.
Naquele ano, Collor enfrentou Ronaldo Lessa, que foi reeleito.
Arnon deixava claro: foi candidato para turbinar votos para o pai.
Uma década e meia depois, Arnon volta ao cenário político alagoano. Como em 2002, nada ocorre por acaso:
- O eleitor de Maceió, historicamente, derrota Collor no voto. Arnon pode ajudar a abrir novos espaços na capital;
- Arnon é tratado como herdeiro político do pai, tarefa que Fernando James, também filho de Collor, rejeita (Fernando James descarta nova incursão na política);
- Ações na Justiça Federal buscam levar à leilão as empresas de Collor. Uma delas é assinada pelo juiz da 5ª Vara Federal, José Donato de Araújo Neto. Ele autorizou, em 1 de setembro, levar adiante os preparativos para o leilão de toda a área onde funcionam as empresas da Organização Arnon de Mello, no bairro do Farol. A ação cabe muitos recursos, mas indica um mapa financeiro da OAM.
- Há, ainda, os efeitos da Operação Lava Jato nas empresas do senador. O futuro pode dizer algo. Ou nada.
De volta a Alagoas, o bem sucedido comandante da NBA no Brasil é preparado para a função que lhe cabe: ser herdeiro do conglomerado de comunicação do pai. E assumir o posto de Collor na política, que um dia foi de Arnon, pai de Collor.
Lembrando que Renan Calheiros prepara Renan Filho para sucedê-lo na política; Guilherme Palmeira construiu a carreira político do filho, Rui. E tantos outros exemplos que se repetem.





