Em conversa com Cachoeira, Demóstenes vaza diálogo com Renan sobre ministro

Demóstenes teria dito a Renan que a "turma" deixaria ministro da Agricultura "esturricar"

Em diálogo, interceptado pela Polícia Federal com autorização da Justiça, no dia 16 de agosto do ano passado, o senador Demóstenes Torres (sem partido) conversa com o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e ambos falam da queda do ex-ministro da Agricultura, Wagner Rossi. A conversa tem quatro minutos e Demóstenes cita o senador Renan Calheiros (PMDB)

Demóstenes, segundo ele mesmo diz a Cachoeira, teria dito a Renan que “aquela turma” deixaria “o cara esturricar, aí vocês jogam fora”- uma conversa aparentemente entre dois políticos, representantes do PMDB e DEM, a respeito da crise envolvendo um ministro, mas “vazada” por Demóstenes ao bicheiro. O cara que seria “esturricado”, na versão Demóstenes, é o então ministro da Agricultura, que acabou pedindo demissão por irregularidades na pasta.

Rossi era do PMDB, mesmo partido de Renan.

CARLINHOS: tudo em cima. Que é que tem do … do (incompreensível) falei com o cara, mas ficou só pra semana que vem … rnas ele falou que vai continuar batendo nesse ROSSI aí

DEMÓSTENES- exatamente. eles vão derrubar esse ROSSI. ficar… vaí cair… O… (Incomprensível) pegou… eu falei isso hoje com o pessoal dele lá… RENAN, aquela turma. Eu falei “Oh … vocês vai deixar o cara esturricar, aí vocês jogam fora!” … que é evidente que o (incompreensível) não se sustenta, né?”

Neste mesmo diálogo, Cachoeira e Demóstenes citam o ex-ministro José Dirceu (PT), a Companhia Energética de Goiás (Celg). E Demóstenes comemora com Cachoeira uma decisão do ministro Gilmar Mendes, considerada favorável à Celg. “Conseguimos puxar aqui para o Supremo uma ação da Celg aí. Viu?”, diz Demóstenes. “O Gilmar mandou buscar, deu repercussão geral pro trem aí.”

Veja diálogo completo aqui , na página 97

Nesta sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski autorizou o acesso da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) ao inquérito que investiga o senador e seu envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira.

Ele usou precedentes da Corte como base para deferir o pedido, feito pelo presidente da CPMI, o senador Vital do Rego (PMDB-PB).

De acordo com o despacho, a CPMI pode “observar as restrições de publicidade inerentes aos feitos sob segredo judicial, bem como aquelas previstas na Lei 9.296/96, especificamente ao que foi colhido nas interceptações telefônicas”.

Relator do inquérito, que tramita no STF, Lewandowski autorizou também o compartilhamento de dados com o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado para a instrução de procedimento contra o senador Demóstenes e com a Comissão de Sindicância da Câmara dos Deputados, que investiga os parlamentares João Sandes Junior (PP-GO) e Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO) pelo envolvimento com Cachoeira.

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