Zico faz forte campanha nas redes sociais para virar presidente da Fifa

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Aos 62 anos, Arthur Antunes Coimbra, o Zico, ainda tem muito fôlego. E ansiedade. Da Índia, ele tenta equilibrar o tempo entre comandar o FC Goa na Super Liga Indiana e manter vivo o sonho de ser presidente da Fifa. Não é fácil.

Ainda pré-candidato, Zico precisa de cinco cartas de federações de países diferentes para tornar-se, de fato, um dos postulantes ao cargo. A pouco menos de dez dias do prazo final para que os candidatos sejam oficializados, no dia 26 de outubro, o Galinho atendeu, por telefone, à reportagem do ESPN.com.br.

Por enquanto, ele garante, o quadro ainda está indefinido. Principalmente após as suspensões, no início do mês, do presidente Joseph Blatter, do secretário-geral Jérôme Valcke e do presidente da Uefa e até então favorito à presidência da Fifa, Michel Platini. Na próxima semana o Conselho Executivo da Fifa terá uma reunião extraordinária. Zico faz forte campanha via redes sociais e defende a mudança total nas práticas da entidade.

“A Fifa precisa recomeçar. Ela chegou a um ponto que, para nós, do futebol, nos entristece bastante. Ela perdeu a credibilidade”, disse o eterno ídolo do Flamengo.

Confira a entrevista.

Por que a ideia de se candidatar à presidência da Fifa?

Eu nunca tive essa pretensão, não. Essas coisas acontecem. Eu estava na Europa. Trabalhando nos jogos lá do Esporte Interativo, da fase da final da Champions, em Berlim. E surgiram esses escândalos da Fifa. A gente estava conversando a respeito do Figo e me perguntaram se eu o apoiava. Falei que gosto muito dele, apoiaria numa boa porque é um nome importante do futebol. Depois saí dali pensando: se posso apoiar, por que não posso ser candidato? Falei com a minha mulher, meus filhos e a gente foi em frente. A recepetividade foi boa, então não ia afetar em nada meu trabalho aqui na Índia. Fui procurar montar uma equipe, as pessoas que eu conheço, nessa questão de Fifa. Todos muito animados, voluntários. À espera da reta final para ver se vamos ter a possiblidade.

Quais medidas seriam possíveis para melhorar a transparência na governabilidade da Fifa?

A Fifa precisa recomeçar. Ela chegou a um ponto que, para nós, do futebol, nos entristece bastante. Chegou esse problema de corrupção, escândalo, propina, essas coisas todas. Gente sendo suspensa, pessoas nos mais altos cargos no futebol. A gente lamenta. Para as coisas mudarem é necessário que aconteçam essas coisas mesmo. Infelizmente. Como há um sistema em relação a esse tipo eleição e tudo isso acontece com os principais personagens, lógico que todo mundo fica apavorado, sem saber o que fazer. Não tem plano B, não tem outra opção. Estava todo mundo comprometido. Agora é aguardar. Ninguém vai tomar decisão nenhuma antes do dia 21 de outubro.

Quais federações lhe garantiram com uma carta o apoio para a candidatura neste momento?

Não tenho nenhuma carta. Só tenho uma que a CBF me diz que se eu conseguir as outras quatro ela vai me dar a quinta. É só isso. Ninguém vai abrir o jogo agora, ninguém vai falar nada. Mesmo que tivesse, com o que tá acontecendo ninguém ia falar nada. Todo mundo está com receio de alguma coisa. Todo dia surge uma coisa nova na Fifa. Lógico todo mundo fica não com um pé atrás. Fica com os dois.

Você é um ídolo do futebol mundial e brasileiro. Não seria mais lógico o primeiro apoio oficial partir da CBF e, aí sim, buscar as outras quatro cartas?

No futebol de hoje está todo mundo comprometido. Uma das dificuldades para todo mundo se tornar candidato é questão que todo mundo se compromete com votos em bloco. Não é a Federação do país. É o que a Conmebol decide, a confederação asiática decide, a Concacaf decide. Isso é uma das coisas que precisam acabar. Esses comprometimentos na Fifa precisam acabar. Na Ásia, a Coreia do Sul, que têm sido exemplo nesses anos de Copa do Mundo, ela não tem o mesmo objetivo que tem a Mongólia, o Vietnã. Mas ela hoje teria o mesmo peso. Com tudo aquilo que ela conquistou na Ásia, é o mesmo do Vietnã. O Brasil tem uma história grande no futebol mundial, mas a Bolívia, com todo respeito, não tem. Os objetivos não são iguais. Há muitas diferenças. Na hora do voto é tudo igual. Esse é um grande problema que existe nesse sistema atual. Quem não está no meio de conseguir cartas. A maioria estava com o Platini, ninguém sabe o que fazer. Vamos ter reuniões, assembleias na Fifa, na Uefa. Até o dia 20 vai clarear, vaos saber quem é quem. Até lá vamos continuar os contatos, mostrando as nossas propostas, o que a gente fazer, o que a gente tem em mente para que eles conheçam. Vamos ver onde isso tudo vai parar.

Como são feitos esses contatos?

Com endereços, todo mundo sabe onde está todo mundo. A gente recebe respostas, às vezes não recebe. Então, é assim que a gente está lidando com as pessoas. A mim todo mundo conhece. Trabalhei em três continentes, dentro e fora de campo. Eles me conhecem, sabem quem eu sou, como me portei em todos esses lugares. Não sou nenhum aventureiro no futebol.

O que lhe leva crer que vai conseguir as cinco cartas até o dia 26?

Hoje eu posso dizer que é uma interrogação. Existe uma grande interrogação em tudo que está aí. Quanto a isso eu não te dou nenhuma resposta. A gente está nos contatos. Agora tem é de mostrar uma vez mais que, se querem uma coisa nova, então nós temos uma opção. Porque se o sistema continuar, eu não vejo nada que possa mudar tudo isso que, a meu ver, está errado. A gente é o que tem de novo. A pessoa tem de saber que o novo sempre assusta um pouco. Está todo mundo com receio do que vai vir por aí. As pessoas acham que talvez a gente seja de outro planeta.

A Conmebol costuma votar em bloco e apoiaria o Platini. Acredita que a suspensão dele pode dar força a você como opção?

Não posso afirmar nada. Eles têm que mudar, arrumar um plano B. O que acontece é que as pessoas estavam tão seguras no que ia ter pela frente que acabaram sem, digamos assim, sem poder ter alguma coisa diferente. Agora vai ser aquela correria para poder analisar e ver quem está. Eu até tenho minhas dúvidas se a eleição vai acontecer no dia 26.

Acredita que por pregar um discurso de transparência e não ter carreira política de dirigente pode ser um entrave?

Lógico que pode. Se quiserem continuar com o que está, com o que veio a público e denegriu a entidade maior do futebol, que continuem. Acho que só Blatter vai perder, o Platini, o Jérôme Valcke: O futebol está perdendo. A Fifa perdeu a credibilidade.

Blatter, Valcke, Platini foram suspensos da Fifa no início deste mês. Acredita que eles ainda têm alguma condição para voltar a ocupar cargos na Fifa?

Se ficar comprovado tudo isso, aí a situação fica muito ruim para eles dentro do futebol. A questão é que todo mundo pode acusar e suspender, mas todos têm direito de defesa.

Quais seriam os principais adversários no panorama atual? O príncipe da Jordânia, Ali Bin Al-Hussein?

Só tem ele. Pelo menos apareceu ele. Não sei se vai aparecer mais alguém. Com tudo isso que vai acontecer pode ser que alguém esteja trabalhando sem divulgar.

Como tem sido essa forte campanha via redes sociais com apoio de ídolos do futebol?

É a campanha que eu posso fazer, contar com a colaboração dos amigos, jogadores, amigos, redes sociais. É o que eu posso fazer. Não sou executivo, não tenho jatinho. Trabalho, tenho um contrato a cumprir. Tenho de trabalhar por aqui. Não tenho condições de visitar federações, gabinetes. Não estou comprometido com ninguém. Quem está trabalhando do meu lado são voluntários, pessoas que acreditam no que a gente está fazendo.

Fonte: ESPN

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