Ícone do site Repórter Nordeste

Xi Jinping reforça apoio ao Brasil após críticas de Lula aos EUA

Em um movimento que consolida a aproximação estratégica entre as duas maiores potências do Sul Global, o presidente da China, Xi Jinping, assegurou nesta sexta-feira (23) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que Pequim apoiará o Brasil na defesa dos interesses das nações em desenvolvimento.

Durante conversa telefônica, Xi defendeu a manutenção do papel das Nações Unidas como pilar de estabilidade na atual “conjuntura internacional turbulenta”.

O diálogo ocorre em um momento de alta voltagem diplomática. Nesta semana, Lula publicou um artigo de opinião no The New York Times criticando duramente a ofensiva militar e jurídica dos Estados Unidos na Venezuela.

A captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelo governo de Donald Trump, sob acusações de tráfico de drogas, mergulhou a região em uma profunda incerteza política e reacendeu o temor de intervenções por força em território latino-americano.

Críticas à “impunidade” americana

A operação dos EUA em Caracas não gerou desconforto apenas no Planalto. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em entrevista à BBC que os Estados Unidos agiram com “impunidade”, colocando em risco princípios fundamentais como a igualdade entre os Estados-membros.

Em seu artigo, Lula foi enfático ao classificar a ação como um “ataque militar direto”, algo inédito na história independente da América do Sul em mais de dois séculos.

“É crucial que os líderes das grandes potências entendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável”, escreveu o brasileiro, ressaltando que o poder não pode se basear “simplesmente no medo e na coerção”.

Para analistas, o apoio de Xi Jinping a Lula é também uma resposta aos movimentos expansivos de Washington. Além da crise na Venezuela, a ameaça de Trump de usar força para anexar a Groenlândia abriu fissuras com aliados históricos na Europa e na Dinamarca.

Nesse vácuo de liderança diplomática, a China busca reafirmar sua presença. Xi prometeu a Lula novas linhas de crédito e investimentos em infraestrutura, reforçando a intenção de construir uma “comunidade China-América Latina com um futuro compartilhado”.

Um dos pilares dessa colaboração é a Iniciativa Cinturão e Rota. O objetivo é alinhar o megaprojeto chinês aos planos brasileiros em setores críticos:

“A China está disposta a continuar sendo uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe”, afirmou o líder chinês, sinalizando que Pequim não pretende ceder espaço para a influência americana em áreas de cooperação econômica mútua.

Sair da versão mobile