Seria tão bonito se víssemos nos rostos das pessoas a convicção de que estar em sociedade é algo que pode ser fortalecido pelo bem comum, e não apenas pelo bem de si mesmas.
Assim seria mais fácil identificar o político vilão, o empresário vil, o religioso venal, e a espinha dorsal que enfileira todos eles na mesma linhagem de picaretas mal intencionados.
Mas os pernósticos acima citados não permitem que evolua a compreensão humana sobre si em relações comunitárias de aperfeiçoamento das conquistas cidadãs, que possam ser partilhadas.
Encontraram um ninho quente no seio da democracia, onde estão sugando o leite do país e ressecando a função nutriz de bem público, através da implementação de políticas perversas, que arrancam direitos e materialidades em nome de ficções tramadas nos desvios da psique coletiva.
Retiraram o sonho irmanado, impuseram a disputa sem ética pelo naco do pão de cada dia.
Um dia o Brasil conquistou educação pública, fez jargão sobre “qualidade” e “para todos”, e os gestores se apossaram do dinheiro, forçando o contrato, a precarização, a qualidade duvidosa e a exploração contínua do trabalho desconexo.
Um congresso pérfido ataca o serviço público efetivo e faz apologia ao cabide de emprego, sempre com fins eleitoreiros de maquiagem rala. Mas existem parcelas da sociedade que aplaudem políticas como essa se acreditando peça válida para o jogo do poder usar. Mas o poder não tem fidelidade, é somente por si mesmo.
O indivíduo sem respaldo é vulnerável por vias infinitas. Pode conseguir, pode sucumbir, pode se tornar obstáculo aos caminhos de outros. Apenas a vertente comum consegue olhar para cada um. Mas o poder a maculou, envenenou a água que saciaria a sede social, econômica, histórica, antropológica, política.
Todos os dias a pútrida ideologia nazifascista prolifera em algum rincão, através dos contaminados pelo ódio, apaixonados pela morte, pela exclusão do outro, pelo preconceito e discriminação, como se estivessem amando um deus de beligerância verbal, física, institucional.
A sociedade irmanada nas causas grandes das acolhidas comuns, segue em desejos, nos rostos de alguns. Nestes há cantorias apesar das tristezas de cada dia, há pensamento e ação com licença poética para fazer o bem possível, na margem diária de contribuições solidárias. Eles salvam este planeta da desertificação total das almas.
E pensar que o voto responsável já seria meio caminho andado para fortalecer nossas sobrevivências…
O dia em que assumirmos essa capacidade de juntos melhorarmos, vai ser lindo!





