O Movimento Unificado de Vítimas da Braskem (MUVB) enviou uma carta ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitando o veto à venda da petroquímica Braskem, alegando que a empresa possui um passivo socioambiental subestimado, que ultrapassaria R$ 30 bilhões. A mobilização ocorre em meio às negociações para a aquisição da companhia, atualmente controlada pela Novonor (ex-Odebrecht), por grupos privados e pela Petrobras.
Na carta, o MUVB afirma que milhares de moradores de Maceió foram excluídos dos planos de compensação e realocação, apesar de viverem em áreas afetadas pelo afundamento do solo causado pela mineração de sal-gema realizada pela Braskem. Os bairros Flexais e Marquês de Abrantes são citados como exemplos de regiões negligenciadas, mesmo apresentando os mesmos riscos geológicos que outras zonas já indenizadas.
O movimento também denuncia a ocultação de uma Nota Técnica do Serviço Geológico do Brasil, que teria sido retida pelo Ministério Público Federal, impedindo que mais vítimas fossem reconhecidas oficialmente. Segundo os representantes do MUVB, a subnotificação do passivo ambiental pode comprometer a transparência da operação de venda e prejudicar milhares de famílias que ainda aguardam reparação.
Além do Cade, o documento foi encaminhado aos bancos envolvidos na negociação — Itaú, Banco do Brasil, Santander, Bradesco e BNDES — com o alerta de que as obrigações da Braskem não prescrevem e devem ser consideradas por qualquer novo controlador.
A venda da Braskem é vista como um dos últimos passos da reestruturação da Novonor, que enfrenta uma recuperação judicial com dívidas superiores a R$ 98 bilhões. A Petrobras, sócia relevante na Braskem, também manifestou interesse em ampliar sua participação na companhia.
O Cade ainda não se pronunciou oficialmente sobre o pedido.
