Repórter Nordeste

Violência cria o ‘castigo aceitável’

linchamento

Em 35 anos o Brasil matou um milhão e meio de pessoas.

Não estamos em um cenário de terror como aquele entre a França e a Síria mas temos a violência urbana e a banalização da vida.

O Ipea fez uma projeção da violência e da segurança pública até 2023.

Concluiu que a naturalização dos homicídios no Brasil tornou aceitável pessoas serem linchadas ou apedrejadas nas ruas ou um trem passar por cima do corpo de um homem para não atrasar o horário das composições.

Sim, a pena de morte continua a existir no Brasil não por um benefício da lei mas porque os aparelhos legais não funcionam.

Vivemos em um país caro, com serviços públicos medíocres, a corrupção espalhada na política nacional com pequenas parcelas de punição.

Mais da metade dos presos em Alagoas não foi julgada e isso é um sinal.

Sinal de que as leis são maleáveis a depender dos recursos financeiros e jurídicos.

Sinal de que o Brasil desde sempre pune com rigor os pobres e os pretos.

E o resto é natural.

Charles Darwin conta que ao chegar ao Brasil, em sua expedição pelo mundo, perdeu as malas.  Ele deu uma bronca no escravo. E ele, o escravo, ficou em posição para receber uma surra.

É o castigo aceitável.

O mesmo que hoje faz os mais pobres serem humilhados em postos de saúde ou hospitais.

Ou não procurarem uma delegacia para denunciar um roubo.

Porque a violência, assim como os serviços para o público, são reféns de uma padronização de classe.

O Brasil é uma democracia muito jovem.

E é isso o que nos leva a crer em tempos melhores.

Onde o público seja de fato público.

E não organizado para massacrar ainda mais quem naturalmente é punido por ser brasileiro.

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