No vermelho
De um vermelho nu,
Longe
Do vermelho das amoras,
Próximo
Ao da casca do caju,
Surgiu um novo vermelho:
Vermelho, vermelho tu.
Traduzido por teu vestido,
Fulgurante antítese do azul
Fogo fátuo, fogo facho,
Fogo doido e corredor,
Fogo fêmea, fogo macho,
Fogo embriagador…
Fogo nobre, fogo cobre,
Fogo liga de fazer
Fogo tacho de ferver,
Fogo doce de comer,
Fogo sedento
Com sede de fogo ser.
No vermelho
De um vermelho cru,
Teu vestido sugeria
Poesia, sonho e magia
Taça de vinho se abria
Contendo teu corpo nu,
Chama linda, pequeninha
Acetinada e crua
A passear naquela noite
Com sua chama
Iluminando toda a rua
Roubando
A cena, certamente,
De um certo brilho da lua
Arremessando fagulhas,
Paramentadas faíscas,
Tal estilhaços de agulhas:
Teu vestido sorria
E sorrindo dançava
E dançando dava a nascer
Um novo vermelho,
Distante do acaju,
Com ar de vermelho próprio,
Chamado vermelho tu.
Paulo Caldas








