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Vereadores põem JHC no alvo dos atiradores bolsonaristas

A legalização de clubes de tiro e lojas de materiais bélicos próximos a escolas e hospitais pelos vereadores de Maceió coincide com a indicação do vereador Leonardo Dias como vice de Fernando Collor na disputa ao Governo e encontros de vereadores com Paulo Dantas. Situações que ocorreram na mesma semana- a última antes do prazo final das convenções partidárias e onde cada um decide o lado que vai apoiar, oferecendo votos.

Armar a população é pauta prioritária do bolsonarismo. E ter um representante da Câmara na disputa ao Governo e com um aceno deste porte significa mais pressão, exigências e cargos dos vereadores aos dois lados da votação e, óbvio, ao futuro governador.

Dois lados porque as pesquisas mostram que as eleições alagoanas caminham para o segundo turno, entre Paulo Dantas (palanque de Lula) e Collor (fechado com Bolsonaro).

O projeto de iniciativa de Galba Netto e Fábio Costa tramitou em regime de urgência na Câmara. E isso na mesma semana em que o vice-prefeito de Maceió Ronaldo Lessa aceitou ser vice de Paulo Dantas.

Não é por acaso.

Os cargos indicados por Lessa na Prefeitura são disputados pelos vereadores. E Galba Netto, atual presidente da Câmara, se transforma no sucessor direto de JHC, caso o prefeito seja impedido de administrar ou se afaste do cargo por mais de 15 dias.

Depois de passar pela Câmara, a legalização dos clubes de tiro vai para a mesa de JHC que vai sancionar ou vetar.

Se sancionar, traz para si e para o palanque de Rodrigo Cunha a associação com o bolsonarismo e evasão de parte dos eleitores. E isso num instante em que Cunha patina em 3o lugar nas pesquisas e busca distância do presidente da República.  Há ainda desgastes pela onda de ações judiciais contra a iniciativa da Câmara, no meio de uma eleição.

E se JHC vetar? Será atacado pelo bolsonarismo que promete uma onda de fúria, incluindo ameaças a ele e Doutor JAC, irmão do prefeito que disputa a Câmara Federal e com votantes entre evangélicos, onde Bolsonaro cativa mais votos.

É bom lembrar que a Câmara está sob investigação do Ministério Público Estadual por não querer publicar todos os gastos do legislativo mirim no portal transparência.

Os próximos dias devem mostrar mais a respeito do real interesse dos vereadores de Maceió.

E a barganha não é barata.

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