Odilon Rios
reporternordeste.com.br
A promessa do Governo Federal de combater o avanço do tráfico de drogas em Alagoas e tornar o Estado mais violento do Brasil referência nacional em ações do Ministério da Justiça esbarra em um problema, criado pelas prefeituras alagoanas. Das 102 cidades de Alagoas, 16 enfrentam “risco alto” de proliferação do crack. E praticamente todas receberam, ao todo, R$ 333 mil reais da União para ações de enfrentamento a droga. Mas, onde está o dinheiro? E porque o problema persiste?
Não é muito dinheiro. Mas, a cidade de Arapiraca recebeu R$ 160 mil no ano passado para ações de enfrentamento ao crack e outras drogas. É um dinheiro depositado na conta do Fundo Municipal da Saúde e deveria ajudar, por exemplo, a melhorar o atendimento aos drogaditos.
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Mesmo assim, Arapiraca e mais 15 cidades aparecem em relatório da Confederação Nacional dos Municípios (CNM)- divulgado em novembro do ano passado- com índice alto no consumo do crack. Isso significa que o dinheiro poderia ajudar a diminuir o problema.
Não é bem assim. Em 2010, Arapiraca recebeu R$ 80,6 mil- ou seja, em um ano, a capital do agreste recebeu o dobro de verba federal no enfrentamento ao crack.
O mesmo aconteceu com Cacimbinhas. Em 2010, a União não injetou dinheiro na cidade para o combate a droga. A situação mudou em 2011: R$ 10 mil, depositados no Fundo Municipal de Saúde- e, mesmo assim, o município apresenta índice alto de consumo, segundo relatório da CNM.
Major Isidoro foi a cidade alagoana que mais recebeu verba federal no combate ao crack. Entre 2010 e 2011, oito vezes mais dinheiro injetado no Fundo Municipal de Saúde- de R$ 4.500 para R$ 36.000.
Mesmo assim, a cidade aparece na lista das 16 com maior índice de drogaditos.
E o fracasso nas ações une tanto os tucanos- ligados ao governador Teotonio Vilela Filho- como os pemedebistas- do senador Renan Calheiros.
Arapiraca, por exemplo, é celeiro eleitoral de Calheiros. Marechal Deodoro também. E, além de Marechal aparecer na lista da CNM como alto consumo da droga- neste caso, o crack- a cidade recebeu, ano passado, R$ 11 mil. Um valor mais enxuto que 2010: R$ 28.800.
São Luis do Quitunde, do prefeito Cícero Cavalcante (PMDB) -ex-funcionário de Renan Calheiros- ganhou R$ 11 mil para ações contra as drogas em 2011. Mesmo assim, aparece na lista da CNM. Cavalcante é prefeito pela quarta vez consecutiva, foi indiciado pela Polícia Federal por compra de votos e responde a ações de improbidade administrativa em Matriz de Camaragibe- onde quem manda é a mulher dele, Doda Cavalcante (PMDB).
Viçosa- terra do governador- também está na lista de cidades que receberam dinheiro federal em ações de combate ao crack- mas, também, está em outra lista: municípios alagoanos com índice alto de consumo da droga que mais extermina vidas no País.
A cidade do prefeito Flaubert Torres (PSDB) não recebeu dinheiro em 2011, mas teve verba garantida em 2010: R$ 28.800.
Penedo- outro ninho dos tucanos, do secretário de Saúde, Alexandre Toledo- poderia ser referência estadual no combate ao crack. Em 2010, R$ 18.800 depositados na conta do Fundo Municipal de Saúde; em 2011, mais R$ 11 mil. E, a posição da vergonha: pelo relatório da CNM, uma das 16 cidades com maior proliferação da droga.
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