Vendas no varejo nacional podem crescer 3,6% ainda em 2021

Estudo publicado pela EMIS analisa comportamento do varejo pós-vacina

São Paulo, julho de 2021 – A recuperação do comércio varejista no Brasil perdeu ritmo no primeiro trimestre de 2021, é o que mostra recente análise publicada pela EMIS, empresa do Grupo ISI Emerging Markets, focada em informações estratégicas de empresas, setores e países emergentes.

O resultado se dá por conta de uma nova onda de infecções pela Covid-19, novas restrições à operação de lojas físicas, o cancelamento do Carnaval, a pausa no pagamento do auxílio emergencial e as crescentes pressões inflacionárias, que prejudicaram as vendas em praticamente todos os segmentos do varejo. Mesmo assim, investidores locais e estrangeiros continuaram a investir no setor, com expectativas para uma recuperação da atividade nos demais trimestres de 2021.

O economista da EMIS, Adriano Morais, explica que após dois trimestres consecutivos de aumento, o volume de vendas do comércio varejista nacional caiu 0,6% no primeiro trimestre de 2021 na base anual. “Uma nova onda de infecções pela Covid-19 que envolveu o país levou os governos estaduais a introduzirem restrições severas às operações de vários canais de varejo, incluindo a redução do horário de funcionamento, o fechamento de lojas no final de semana, a limitação do número de clientes permitidos nas lojas, e a proibição da venda de alguns bens não essenciais”, afirma.

Na mira de investidores

Apesar do ambiente negativo, o economista ressalta que o setor de varejo no Brasil continuou no radar dos investidores nos primeiros quatro meses de 2021. “O setor registrou um grande negócio – a aquisição do Grupo BIG (antigo Walmart Brasil) pelo Atacadão – a unidade brasileira do varejista francês Groupe Carrefour – por R$ 7 bilhões. A transação, prevista para ser fechada em 2022, vai consolidar a posição do Atacadão como o maior varejista de alimentos do Brasil, com 876 lojas, cerca de 137.000 funcionários e vendas brutas anuais de mais de R$ 100 bilhões”, explica.

Em resposta ao crescimento das compras online incitado pela pandemia da Covid-19, a análise lembra que os varejistas também continuaram a investir em estratégias omnichannel. “Um exemplo de destaque é a rede varejista Lojas Americanas que em abril anunciou a união de operações com sua subsidiária B2W, sob o guarda-chuva desta última, com o objetivo principal de impulsionar a experiência omnichannel dos clientes. Como o e-commerce permaneceu o canal mais dinâmico do varejo, ele continuou a atrair o interesse de investidores nacionais e estrangeiros”, afirma Morais.

Três varejistas online – Westwing Comércio, Mobly e Allied Tecnologia – concluíram com sucesso ofertas iniciais de ações (IPOs) na Bolsa de Valores B3, arrecadando um total de US$ 370 milhões. Segundo o banco de dados da EMIS DealWatch, outros 12 varejistas online receberam US$ 253,6 milhões de investidores nacionais e estrangeiros entre janeiro e abril de 2021. O maior negócio foi a rodada de investimentos da Série E da varejista online de móveis MadeiraMadeira no valor de US$ 190 milhões. Como resultado da transação, a MadeiraMadeira se tornou o primeiro unicórnio brasileiro de 2021, com um valor de mercado de mais de US$ 1 bilhão.

Cenário Pós-Vacina

No entanto, a projeção da EMIS para o volume de vendas pós-vacina no chamado varejo tradicional é de crescimento de 3,6% em 2021 e 3,8% em 2022. Já no varejo estendido (varejo tradicional + setor de construção/autopeças) é projetado um crescimento do volume de vendas em 6,7% para 2021 e 7,3% para 2022, influenciado principalmente pelo ramo de materiais de construção.

“Sabemos que o Brasil se encontra diante de um ‘boom’ imobiliário e muitas pessoas também estão fazendo reformas em suas casas, portanto, o mercado de construção está aquecido, principalmente se pensarmos que as obras demoram um tempo maior para serem finalizadas, por isso projetamos o crescimento até 2022, com provável desaceleração no ano seguinte”, afirma Morais.

Já em relação ao valor de vendas, a EMIS projeta um crescimento de 7,4% no varejo tradicional e 9,4% para o varejo estendido neste ano. Para 2022, 6,6% e 9,0%, respectivamente.

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