A superlotação de leitos na Maternidade Santa Mônica- a única que atende gestantes de alto risco em Alagoas, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mantida pelo Governo do Estado- fez suspender o atendimento. Um parto chegou a ser feito no meio da rua, dentro da ambulância do Samu.
“Todas as maternidades estavam lotadas. Tive que voltar para cá, o menino estava nascendo dentro do meu carro, implorei, pedi médica, parteira, ninguém saiu da Santa Mônica. Precisou uma ambulância vir aqui, fazer o parto e depois que fez o parto foi lá para dentro”, disse o técnico em Telecomunicações, Júlio Feitosa.
Com a maternidade superlotada, muitas gestantes ficaram do lado de fora da instituição neste sábado. A triagem virou local de internação, por falta de espaço. Lílian Bezerra está na maca desde sexta-feira. O bebê dela está morto, na barriga, esperando médico para ser retirado.
A maternidade tem capacidade para 70 leitos, mas tem 82 gestantes. Seis foram transferidas neste sábado para a maternidade Denilma Bulhões, no bairro do Benedito Bentes. O Hospital Universitário- que tem a única maternidade pública, para gestantes de alto risco, mantida por verba federal- também esteve superlotado, na manhã de sábado- tem 60 leitos.
Em abril do ano passado, a lotação esgotada nas UTIs neonatais nas maternidades públicas de Alagoas – que chegou a hospitais particulares- fez o defensor público Ricardo Melro recomendar que as gestantes deixassem o Estado.
A medida – considerada por ele “extrema” – era para evitar o registro de mortes ou complicações no parto.
Há sete anos um projeto de ampliação da Santa Mônica aguarda sair do papel.