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Uma ode a Francisco, a força da fraqueza

Na minha casa de tem um oratório, em homenagem às crenças de minha avó Maria, que me apresentou o seu, herdado da mãe, dentro do qual moravam imagens de poderes celestiais.

Meu oratório eu mesma encomendei, é feito de jatobá e pintado de verniz. Mas dentro dele moram representações de Francisco, o simples caminheiro de Assis, que também faz morada no coração do nosso lar.

Tenho um São Francisco das Chagas, com olhos azuis pintados pelo artesão, e sangue nas mãos, carregando as dores do Cristo crucificado, como adesão de amor ao mestre amado.

Mora aqui também um São Francisco nordestino, no qual o artesão caprichou no tamanho da cabeça, no aspecto entristecido e largas extremidades nos pés com dedos proeminentes. Nele enxergo meu povo, nem sempre altivo, nem sempre feliz. É um introspecto esse Francisco.

Tem um Francisco pequenino, mais romantizado; aquele cercado de andorinhas e animaizinhos outros, todos felizes sob a sua proteção. Essa imagem veio como lembrança de uma cavalhada que meu filho médico veterinário um dia promoveu. É um protetor amoroso esse Francisquinho.

Mas o quarto Francisco fui eu mesma quem delineei, em uma aula de arte com papel machê. No meio é uma garrafa vazia de vinagre, mas sua representatividade em minha vida é valorosa.

Francisco é aquele que aprendeu com a força exterior que nos massacra, que a nossa própria força vem do desapego àquilo que o mundo valoriza. É o homem que se desnudou das ilusões da matéria e seguiu arrastando o desafio novo de amar sem possuir.

Amo Francisco e seus poderes de contrariar o instituído, o sacro, o forte, o arrogante, e todas as formas de condenação.

Em Francisco, o amor reflete o clarão da lua sobre as gélidas paisagens do espírito humano, em surdas solidões.

Que continue em minha casa, que oriente minha inspiração, que acaricie nossos medos na hora da prova. Ah Francisco, roga por nós!

SOBRE O AUTOR

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