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Um único homem decide sobre impeachment de Bolsonaro

A derrama de dinheiro, via emendas parlamentares e cargos na máquina estatal, para eleger Arthur Lira presidente da Câmara justifica o compromisso dele com Jair Bolsonaro. E Lira, sentando em uma pilha de pedidos de impeachment, não fará andar as denúncias de crime de responsabilidade contra o presidente da República.

De costas para o Brasil e de frente para as maiores fortunas da Fiesp, Arthur Lira é filho e pai. Comemora o dia das mães neste domingo enquanto 421.484 mortos na pandemia negligenciada desde o início pelo presidente da República, não terão o mesmo direito.

Arapiraca, segundo maior colégio eleitoral em Alagoas, garante votos a Lira. Dona Gilda Firmino e o filho, Carlos, morreram na mesma semana (ele na segunda, ela na sexta) vítimas de Covid. O irmão de Dona Gilda morreu ano passado, também por coronavírus.

Chefe de gabinete da deputada estadual Ângela Garrote- aliada de primeira hora do presidente da Câmara- Luiz Fernando de Barros Júnior morreu em 27 de abril; a mãe dele, Maria Daguia Queiroz de Barros, faleceu em 18 de fevereiro. Também duas vítimas da pandemia.

Estes tempos de barbárie elegem prioridades. O povo busca se salvar; os cientistas procuram a cura; o centrão tem fome e sede de cargos. Humanidades são para aqueles com sangue nas veias e coração.

E nesta crise da dignidade, memórias e dores se juntam. Museus para lembrar destes mortos se espalham pelo mundo. São famílias sem seus afetos, experienciando um luto confundido como mimimi e sem direito de velar seus amores por questões sanitárias.

Enquanto isso, o genocida e o genocídio têm a proteção do presidente da Câmara. Um único homem decide sobre o impeachment de Bolsonaro. Neste caso, a política é um jogo bruto que usa a seleção natural: os mais úteis sobrevivem. Os mortos? Todo mundo morre um dia.

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