Um legado à juventude

Coaracy Fonseca é promotor de justiça e ex-procurador Geral de Justiça de Alagoas 

Ontem, recebi dos confrades, durante um café, o segundo volume da Revista da Academia de Letras e Artes de Anadia. Estávamos em cinco, dos mais diversos ideários políticos.

A Academia vem tomando corpo a cada ano pelo labor incansável da Diretoria e de seus membros mais dinâmicos.

Mas desejo destacar a eficiente condução dos seus presidentes Pe Gilvan das Neves e Antônio Ronaldo Mendonça, que atualmente exerce a função, também com organização e maestria.

Ressalte-se, que a cultura livresca é fundamental à formação da juventude e deve ser incentiva nos primeiros anos da infância, no tempo das primeiras memórias, que marcam as nossas vidas para sempre.

A leitura não é uma conduta natural, é aprendida. Assim, não existem os que gostam e os que não gostam de ler. Há, no entanto, os que não foram ensinados. O natural é a busca do elemento lúdico, os jogos, as brincadeiras.

Noutro giro, a produção de textos é uma tarefa que exige muito suor, a depender do estilo literário e da criatividade do escritor.

Exige, não raro, um agregado de leituras prévias que contribuem para formar o alicerce do pensamento, a ideia, o enredo, a trama, que repousam no inconsciente e surgem como um insight.

As leituras não se perdem ou passam aos escaninhos do esquecimento. Reproduzimos os autores que lemos, com outra textura.

Cada escrito irradia luz sobre o mesmo objeto. O leitor será fisgado pelo texto mais compreensível a seus olhos.

Todo ser humano alfabetizado é capaz de relatar pela escrita fatos de sua vida, valendo-se dos signos comuns ao seu contexto social. Ao escrever reflete, faz cotejos.

Contudo, a boa literatura requer maior embasamento cultural, seja a lúdica ou a engajada.

Conhecer a alma humana e suas necessidades e fraquezas é um requisito essencial, os russos são infalíveis. “Memórias do Subsolo” é leitura de entrada.

É preciso formar o homem para a cidadania e domesticar o lado obscuro, habitat da crueldade e outros sentimentos inferiores. Os livros têm esta missão.

A Academia é um lugar de encontro e do debate de ideias que são lançadas ao mundo, aos olhos da crítica, escrever é um ato de coragem.

Nesse percurso, deveras importante foi o engajamento dos vereadores e do prefeito da nossa amada cidade, que compreenderam o significado da empreitada e deram os essenciais contributos, algo raro.

Quanto à Revista, li todos os textos durante à noite e me alegrei com a qualidade dos escritos.

Detive-me um pouco mais no artigo do amigo Temoteo Correia, “Desigualdades, vontade de Deus”, que faz o contraponto à crônica que escrevi.

Um pensamento de cariz conservador, mas de elogiável fundamentação teórica.

A razão cabe ao leitor. É o poder das ideias, nas palavras de Carlos Lacerda. Um bom debate para os que precisam escolher a sociedade que almejam alcançar.

Finalmente, a Revista traz o imemorial poema 2 de fevereiro festa de nossa Senhora Piedade, que ganhou vários prêmios nacionais, do saudoso poeta Emanoel Fay, patrono de minha cadeira.

Por derradeiro, a Academia, apesar de jovem, vem cumprindo a sua missão de guardiã da memória coletiva, além de cimentar ideias de futuro.

“No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus…” O verbo se fez carne. A função do escritor é escrever. Cada ideia tem o seu tempo, que pode transpor o efêmero da vida.

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