Coaracy Fonseca – é promotor de Justiça e ex-procurador Geral de Justiça de Alagoas
O tempo não espera os retardatários. É veloz e neutro. Pode ser frio como o gelo, íngreme como chão de barro, enxaguado por chuva torrente.
O que passou toma o seu lugar nos escaninhos da história, se algum valor legar à humanidade, sob pena de perder-se no breu, nos braços da escuridão.
Há 17 anos, Alagoas estava imersa no maior movimento paredista da sua história. Projetos, compromissos e esperanças foram abruptamente solapados.
Milhares de servidores cruzaram os braços e foram às ruas em busca da recomposição dos salários, cortados por Decreto, apesar de fixados por leis.
Lideranças sindicais, a exemplo do saudoso Izak da CUT, Lourenço e tantos outros, que jamais deverão ser esquecidos, tomaram de suas bandeiras e partiram para uma luta sem quartel.
O Ministério Público tomou posição pelo restabelecimento da ordem jurídica, recomendou e ingressou com ações visando a derrubada dos atos administrativos, que rompiam com a legalidade constitucional.
Não sentou praça na cavalaria do Palácio dos Martírios, pôs-se ao lado dos vulneráveis, que não tinham qualquer interlocução com o governo da conjuntura.
Naquele momento, falavam alto em meus ouvidos as teorias de Pareto, não havia diálogo entre a elite dominante e os milhares de trabalhadores em greve.
Com a aquiescência do Governador, procurei estabelecer o canal de negociação entre as partes da contenda, enquanto lutava em Brasília pela derrubada dos Decretos, que veio a ocorrer por iniciativa do Poder Executivo.
A condição imposta pelo Ministério Público, na época, era que não houvesse qualquer manifestação de violência contra os trabalhadores.
Aproximação realizada. Depois de longo e maduro diálogo, chegou-se, enfim, a um entendimento com a assinatura de termo de ajuste de conduta.
O resultado não saiu sem esforço e sem sofrimento de milhares de servidores.
De todo o enredo, restou patente qual o papel do Ministério Público, como estuário das mais lídimas expectativas da sociedade.
É assim que entendo a Instituição.
Na oportunidade, aproveito para lembrar os bravos guerreiros que nos deixaram e desejar ao próximo Procurador-Geral de Justiça muita virtude e fortuna em sua caminhada.
