UE lança estratégia para impulsionar economia baseada na natureza

A União Europeia apresentou um novo roteiro para desenvolver uma economia que valoriza a natureza como ativo estratégico, buscando atrair investimentos privados para ações de restauração ambiental e proteção da biodiversidade. A iniciativa integra o esforço do bloco para acelerar a transição ecológica e reduzir a dependência de recursos fósseis.

O plano prevê a criação de um mercado regulado de “créditos da natureza”, certificados que representam ações positivas para o meio ambiente, como recuperação de áreas úmidas, expansão de florestas e restauração de ecossistemas degradados. A proposta pretende combinar recursos públicos e privados para fechar uma lacuna anual estimada em 65 bilhões de euros em investimentos voltados à biodiversidade. Até 2027, a UE já comprometeu 7 bilhões de euros para impulsionar o setor.

A estratégia também se conecta à agenda de bioeconomia do bloco, que incentiva o uso de produtos de base biológica — como biocombustíveis, bioplásticos e biomateriais — como motores de crescimento verde. A Comissão Europeia afirma que a substituição gradual de materiais derivados de combustíveis fósseis é essencial para reduzir emissões e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis.

O anúncio, porém, não passou sem críticas. Organizações ambientalistas alertam que a expansão acelerada da bioeconomia pode estimular a sobre-exploração de recursos naturais, caso não haja salvaguardas rígidas. Para esses grupos, transformar a natureza em ativo financeiro exige regras claras para evitar impactos negativos, especialmente em setores que demandam grandes volumes de biomassa.

A UE abriu um período de consulta pública até setembro de 2025 e criou um grupo de especialistas para definir padrões de transparência, certificação e monitoramento dos créditos naturais. A expectativa é que o novo mercado se torne uma ferramenta central para financiar a recuperação ambiental e apoiar as metas climáticas e de biodiversidade do bloco até 2030.

.