O desembargador do Tribunal de Justica de Alagoas Tutmés Airan disse que o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Polícia Federal por suspeita de obstruir investigação “era óbvio”.
“Evidente que o ministro, não só o ministro Alexandre, mas quase todos do Supremo estão sendo coagidos, em primeiro lugar porque há um trabalho político no sentido de de construir uma narrativa para desqualificar a atuação do Supremo como um poder parcial, que tivesse interesses políticos e até eleitorais no sentido de condenar o ex-presidente Bolsonaro e sua turma”, disse Airan.
“A coação começa com essa turma comandada pelo Bolsonaro, obviamente, com algumas figuras de destaque como o pastor Malafaia, todos alimentando o discurso do ódio e fanatismo, sobretudo contra o ministro Alexandre, inclusive colocando até a integridade física e a vida do ministro em risco. Imagina a vida de cidadão que não pode, por exemplo, ir num restaurante sossegado porque teme encontrar um fanático, um lunático”
“A coação ficou óbvia, absolutamente óbvia, com a tentativa de intervenção do governo Trump na justiça brasileira. E a tentativa é claríssima: ou você acaba com essa história de que o Bolsonaro tentou dar um golpe de Estado ou nós vamos taxar os produtos brasileiros em 50%. Ou você acaba com essa história de regulamentar a Big Tech ou nós vamos taxar os produtos brasileiros em 50%. A equação é tão grave que ele imagina que o presidente Lula tem o poder de intervir no funcionamento do Poder Judiciário, quando não tem. O Brasil não é uma republiqueta”
“Mas esse recado, naturalmente, é também dirigido ao presidente Lula e ao Poder Judiciário, no sentido de coagir. E quem é que está por trás disso? Quem é que viajou para os Estados Unidos para articular tudo isso? Para fazer tanto mal ao povo brasileiro? Eduardo Bolsonaro”
“A anistia pretendida não é geral, que possa alcançar todos aqueles que estão implicados no 8 de janeiro. A anistia que já satisfaz a eles é a do ex-presidente Bolsonaro, o resto que se exploda, os miseráveis que engoliram a corda deles e que participaram lá do 8 de janeiro que se explodam”
“Então o que está sendo praticado é uma série de crimes de coação no curso do processo, de chantagem, de extorsão. O indiciamento é inevitável. Há indicativos, veja, há indicativos disto. Claramente, ninguém pode negar”
“Se há uma coisa que a gente tem que se orgulhar nesse momento é do funcionamento das nossas instituições que atuam na defesa dos ideais democráticos e não essa turma que fala em democracia sem nenhuma legitimidade, pois sempre foram defensores de ditaduras, da tortura, da morte, da perseguição política, do ódio. Queriam acabar com a democracia, dar um golpe de Estado, para evitar que o presidente legitimamente eleito assumisse o governo e que agora, descaradamente, quer falar em nome da defesa de uma suposta democracia violada pela condução do processo. É uma ignomínia, uma vergonha”
“Em síntese, respeitado o direito de defesa, o sagrado direito de defesa, espero que o processo mais adiante tenha a sua resposta. Que dificilmente em face das inúmeras provas, inúmeras provas, muitas provas, vai ter um desfecho diferente que não seja a condenação”





