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Tutmés Airan assume uma justiça cara, lenta e (ainda) injusta

São poucos os motivos para que o desembargador Tutmés Airan comemore sua posse como presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas.

Se falarmos de poder, prestígio e status, tudo bem. O cargo atrai os louvores.

Só que a justiça alagoana é cara e lenta, como, aliás, é no Brasil.

Decisões judiciais, em especial as da área de saúde, não são cumpridas pelo poder público. O “cumpre-se” do magistrado morre no papel, não há a cobrança por execução. Sobra a quem busca justiça lembrar da existência da Justiça que fica devendo justiça a ela mesma (?)

A toga não enverga e humilha o mais pobre. Vira ficção ou histórias de super-herói, como as dos juízes atuando na margem da lei pelo justiçamento.

Há um buraco separando o cidadão do tamanho imenso da magistratura.

De acordo com o CNJ , as despesas do judiciário passam de meio bilhão de reais em Alagoas, por ano. 600 mil processos estão pendentes para julgamento.

A justiça sob o comando de Tutmés Airan pelos próximos dois anos é uma das mais lentas do país ao julgar processos de homicídios. Os dados são do Instituto Sou da Paz.

E Alagoas ainda é um dos lugares mais violentos do país, num Brasil que mais mata no mundo. E ainda não estamos em guerra.

Tutmés Airan foi advogado criminalista. Chegou ao TJ pelo Quinto Constitucional. Antes, foi um dos fundadores do PT no Estado e secretário de Justiça e Cidadania no governo Ronaldo Lessa.

Seus comandados têm um grande volume de trabalho e poucas mãos para a demanda. Aqui podemos usar o advérbio “também” porque inclui este e outros problemas.

Estamos falando de integrantes da magistratura, os funcionários públicos mais bem pagos do país, que estão muito longe das palavras corte e gasto excessivo pronunciadas livremente por chefes de executivo. Portanto, nem passam na régua dos planos de economia, constatação tão manjada quanto o estilo colonial do nosso Judiciário.

O poder fará bem a Tutmés Airan. Nossa justiça não tem motivos para distribuir medalhas em cerimônias que não cheiram a povo. Nem comemorar ladainhas ou fake news que facilmente se desmancham na realidade. Tutmés é um ponto fora das nobiliarquias da nossa justiça. Que ele nos ajude a avançar alguns degraus no nosso processo civilizatório.

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