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Turismo e desvalorização do povo

A formação social de Alagoas não nega sua tendência a violência de classe e a dominação através da pauperização das camadas populares. Aqui, a característica principal dos despossuídos é a compulsoriedade da serventia voluntária, da docilidade política e das conciliações.

A construção da conjuntura política alagoana circunscreve os episódios e marcas históricas das veias abertas da América Latina e ratifica a dependência econômica e política da uma burguesia anêmica, ou deveras suscetível às convenções, que edificou, nas representações sociais e na ideologia, a legitimidade do culto ao que vem de fora e na desvalorização da regionalidade como modus operandi social.

Nada disso é novo e não justifica que fiquemos pasmos quando tomamos consciência do pouco investimento na cultura ou na educação.

Não é de pasmar que características regionais como folguedos, comidas típicas e arte popular estejam, na atualidade, em oposição a construção de uma alagoanidade ou de um senso de pertencimento e de coesão social.

As expressões culturais se rendem ao mercado, através do turismo, pois uma parte da burguesia em Maceió, por exemplo, lucra muito com esta atividade econômica. Não é de se espantar, no entanto, que o espaço da orla de Maceió seja o recanto da desagradável “pureza” da cidade, longe das favelas que crescem sobre encostas e problemas ambientes que rendem crônicas e lamentos de intelectuais tristes com a democracia-burguesa que estruturalmente nega espaço ao povo.

Não há motivos para acreditar que o cenário seria outro, meus camaradas. A lógica é intrincada e complexa, está na constituição da sociedade, na ontologia das Alagoas.

Não esperemos que os ventos favoráveis venham da burguesia ou dos que encontraram nela uma fonte inesgotável de sentimentos reacionários e antipopulares. Nossos caminhos são outros e precisam ser trilhados com cautela. Avante!

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