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Trump promete tarifa de 10% para países alinhados ao BRICS

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump afirmou no último domingo (06/07) que pretende impor uma tarifa de 10% sobre todos os países que “se alinharem às políticas antiamericanas do BRICS”. A declaração foi feita em uma postagem na rede social Truth Social.

Trump afirmou que “as tarifas serão aplicadas sem exceção” e que mais de 100 países já teriam sido notificados por meio de cartas formais. Segundo ele, as novas medidas entram em vigor em 1º de agosto, após um prazo de 90 dias para revisão.

A promessa ocorre em um contexto de reconfiguração geopolítica, em que o BRICS — atualmente presidido pelo Brasil — amplia sua influência global. O bloco, que originalmente reunia Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, foi recentemente expandido para incluir Arábia Saudita, Irã, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Hoje, os países do BRICS representam cerca de 24% do comércio global e quase metade da população mundial.

BRICS na mira: economia e política

Ao condicionar o comércio com os EUA à adesão ou não ao BRICS, Trump transforma tarifas comerciais em instrumentos de pressão geopolítica. A medida é vista por analistas como uma tentativa de conter o avanço de coalizões do Sul Global que buscam alternativas à ordem econômica liderada pelos EUA.

O BRICS tem se articulado para reduzir a dependência do dólar em transações internacionais, ampliar o uso de moedas locais e fortalecer instituições como o Novo Banco de Desenvolvimento. Esses movimentos são vistos com desconfiança por Washington, especialmente por ameaçarem a centralidade do dólar e a eficácia de sanções econômicas unilaterais — como as impostas à Rússia após a guerra na Ucrânia.

Reações internacionais

As reações ao anúncio de Trump vieram rapidamente. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o BRICS “não trabalha para prejudicar outros países” e que o bloco está baseado em “princípios de cooperação mútua”. Já a China, por meio de sua porta-voz no Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, declarou oposição ao uso de tarifas como forma de coerção e alertou que tais práticas “não servem a ninguém”.

Impacto nos mercados

A tensão repercutiu negativamente nos mercados. Os índices futuros de Wall Street abriram em queda nesta segunda-feira (7), refletindo a incerteza sobre os desdobramentos da política tarifária. Bolsas asiáticas também registraram instabilidade, com investidores temendo uma nova rodada de guerras comerciais e rupturas em cadeias globais de produção.

Ainda não está claro quais países serão efetivamente afetados pela medida. A ausência de detalhes sobre os critérios de aplicação das tarifas adiciona um componente de imprevisibilidade, especialmente para nações que mantêm relações tanto com os EUA quanto com os países do BRICS.

O que está em jogo

Com o anúncio, Trump reafirma sua estratégia de usar o comércio como ferramenta de poder político, retomando a lógica do “ou está conosco ou contra nós”. A medida coloca países em desenvolvimento diante de um dilema estratégico: alinhar-se aos EUA ou aprofundar laços com o BRICS — sob risco de sanções comerciais.

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