TRE usa esquema especial para monitorar ex-deputados acusados em crimes

A atuação violenta dos ex-deputados Cícero Ferro e Francisco Tenório preocupa o Tribunal Regional Eleitoral (TRE). De todas as cidades de Alagoas com tropas federais, duas delas terão um plano especial de segurança por causa da presença dos ex-parlamentares: Chã Preta- onde concorre Rita Correia, mulher de Francisco Tenório- e Barra de São Miguel- com Thaciane Ferro, filha de Cícero Ferro.

“O clima não é dos melhores nestas cidades e o presidente do TRE [Orlando Manso] está bastante preocupado. São cidades que terão tropas federais, mas elas serão acompanhadas mais de perto por causa dos ex-parlamentares com histórico de violência”, disse um desembargador do TRE, que pediu anonimato por julgar casos nas duas cidades, referente a candidaturas.

Nos pedidos de tropas federais, os juizes destas cidades citam, textualmente, os dois ex-parlamentares. E a extensão ficha criminal de ambos, aliada à presença ameaçadora dos dois no pleito eleitoral, gera tensão nas duas cidades.

Cícero Ferro tem o pior histórico. Ano passado, ameaçou uma jornalista que cobria a Assembleia Legislativa. Em seguida, foi acusado pelo deputado Dudu Holanda (PMN) de elaborar um plano para matá-lo. O objetivo de Cícero Ferro, que era suplente de Holanda, era assumir a sua vaga na Casa de Tavares Bastos.

Antes disso, em 2007, Ferro foi indiciado por formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, crime contra o sistema financeiro nacioal e peculato nas investigações da Polícia Federal, na Operação Taturana. Investigações em que são citadas a filha-candidata, Thaciane: o esquema montado pelos Ferro desviou R$ 25 milhões.

E Cícero Ferro usou sete integrantes da família, com o mesmo sobrenome, para dilapidar os cofres da Assembleia, além do prefeito de Roteiro e ex-genro, Fábio Jatobá.

Os Ferro utilizavam a estratégia do “branqueamento” do capital. Fábio Jatobá, por exemplo, colocava no próprio nome bens adquiridos pelo deputado. E a prestação de contas vinha através de uma gráfica, cuja sócia é uma integrante do clã Ferro.

Cícero Ferro já foi preso quatro vezes, nosúltimos anos. É acusado de ter armas em casa sem autorização e de matar o primo, Jacó Ferro, em 2005, e o vereador de Penedo, Fernando Aldo, em 2007, com quem tinha desafeto político. Ambos os processos tramitam no Judiciário, aguardando julgamento, sem data prevista.

O delegado Francisco Tenório foi preso no dia 2 de fevereiro do ano passado, em Brasília, horas depois de ser considerado ex-deputado. Ele perdeu a eleição e foi preso por agentes da Polícia Federal, a pedido da Polícia Civil de Alagoas, acusado de participar de um consórcio de deputados – entre eles, Antônio Albuquerque e João Beltrão – para matar o ex-cabo José Gonçalves, da PM, morto em um posto de gasolina na Via Expressa, em 1996. Segundo o processo, João Beltrão teria mandado matar Gonçalves “por motivo fútil”: ele se recusou a matar um desafeto de Beltrão.

Após o crime, segundo as investigações, houve uma festa na fazenda de Antônio Albuquerque.

Além disso, Tenório foi indiciado pela Polícia Federal nas investigações da Operação Taturana. Segundo a PF, ele participou de uma organização criminosa que desviou R$ 300 milhões da folha de pagamento da Assembleia Legislativa.

Em dezembro do ano passado, teve o privilégio de fazer uma festa na cadeia para comemorar o Natal, ao lado da família. A farra teve peru assado, tender, torta e a companhia do prefeito afastado por ordem da Justiça Federal, Marcos Santos (PTB), de Traipu.

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